Política Internacional
Condenação de Bolsonaro reacende tensões com os EUA e abre espaço para novas sanções contra o Brasil
Declarações de autoridades do governo Trump e de congressistas republicanos ampliam pressão diplomática; Itamaraty reage e defende soberania nacional
13/09/2025
09:15
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de sete aliados pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) reacendeu a tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos, em meio ao já existente tarifaço de 50% sobre exportações brasileiras e sanções impostas a autoridades do país.
Nos últimos dias, membros do governo do presidente norte-americano Donald Trump, congressistas republicanos e até a Casa Branca elevaram o tom contra o Brasil, em manifestações classificadas pelo Itamaraty como tentativas de interferência em assuntos internos.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes é um “violador de direitos humanos” e prometeu resposta “adequada” à condenação de Bolsonaro. Rubio já havia sido o responsável pela suspensão do visto de Moraes e de outras autoridades brasileiras.
O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, disse que as relações entre Brasil e EUA chegaram ao “ponto mais sombrio em dois séculos”. Já o subsecretário Darren Beattie acusou Moraes de censura e perseguição política.
No Congresso norte-americano, o deputado republicano Rich McCormick, da Geórgia, defendeu a aplicação de sanções contra ministros do STF, afirmando que “a justiça está chegando” e prometendo punições severas.
O Itamaraty reagiu com uma nota oficial:
“Continuaremos a defender a soberania do país de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem. Ameaças como a feita pelo secretário de Estado norte-americano não intimidarão a nossa democracia.”
De forma mais moderada, o presidente Donald Trump limitou-se a dizer que “Bolsonaro foi um bom presidente” e considerou a condenação “surpreendente”, sem prometer novas sanções diretamente.
Já o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), indiciado pela Polícia Federal, afirmou que “sanções adicionais devem ser aplicadas contra ministros da Corte brasileira” e chegou a citar a possibilidade de intervenção militar norte-americana, mencionando o envio futuro de caças F-35 e navios de guerra, em referência à situação da Venezuela.
Atualmente, o Brasil enfrenta:
Tarifa de 50% sobre parte das exportações para os EUA, ainda em vigor desde julho, embora celulose e ferro-níquel tenham sido retirados da lista em setembro;
Sanções pessoais contra Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, que congelaram bens nos EUA, revogaram vistos e proibiram transações financeiras dele e de familiares.
Analistas apontam que, diante do endurecimento retórico de Washington, o Brasil pode sofrer novas pressões diplomáticas e econômicas, com impacto direto nas exportações e na relação bilateral. A expectativa é de que o Congresso norte-americano reforce a pauta de sanções nos próximos meses, o que deve testar a capacidade do governo brasileiro de equilibrar soberania nacional e interesses econômicos externos.
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