Justiça e Democracia
Não é pelo batom: Débora Rodrigues pode pegar 14 anos por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro
Voto do ministro Alexandre de Moraes aponta que pichação da estátua do STF foi o último ato de uma narrativa construída contra a democracia
23/03/2025
10:30
PP
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A bolsonarista Débora Rodrigues dos Santos pode ser condenada a 14 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação direta nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Entre as imagens mais simbólicas daquele dia, está o momento em que Débora escreveu com batom vermelho a frase “perdeu, mané” na escultura A Justiça, localizada em frente ao STF.
O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, apontou em seu voto que o gesto de pichar a estátua foi "a assinatura final de uma empreitada criminosa" e que Débora teve participação ativa e consciente nos atos golpistas.
Ao contrário do que circula nas redes sociais, Débora não está sendo julgada apenas pela pichação, ato que isoladamente teria pena máxima de três anos. O que está em julgamento é seu envolvimento no ataque à ordem constitucional, conforme demonstrado por imagens, laudos técnicos e seu próprio depoimento.
Ela responde pelos seguintes crimes:
Abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L, CP)
Tentativa de golpe de Estado (Art. 359-M, CP)
Dano qualificado com violência (Art. 163, § único, I, III e IV, CP)
Associação criminosa armada (Art. 288, § único, CP)
Deterioração de patrimônio tombado (Art. 62, I, Lei 9.605/98)
O concurso material entre esses crimes levou o relator a sugerir pena de 14 anos de reclusão.
Segundo Moraes, a atuação de Débora não foi casual ou isolada, mas parte de um "iter criminis" – termo jurídico que descreve o caminho do crime desde a ideia até a sua execução.
O voto destaca que Débora:
Participou de acampamentos golpistas em frente a quartéis;
Defendeu publicamente uma ruptura da ordem constitucional;
Invadiu e ajudou a depredar prédios públicos em Brasília;
Tentou apagar provas do celular, demonstrando intenção de ocultar sua participação.
O uso do batom na estátua simbolizou, para Moraes, um deboche dirigido à democracia e um desprezo pelas instituições republicanas.
O gesto de Débora, embora aparentemente simples, teve forte peso simbólico e político. Para o STF, a frase foi uma tentativa de legitimar a mentira de que as eleições de 2022 foram fraudadas e que a ordem democrática poderia ser subvertida pela força.
A comparação com o Caso Dreyfus, citado por analistas, mostra como versões distorcidas da realidade são utilizadas para justificar a injustiça – seja por meio de perseguições infundadas no passado ou pela negação dos fatos recentes, como ocorre com parte dos réus do 8 de janeiro.
O julgamento de Débora representa mais do que a punição de um ato individual. Trata-se de uma resposta institucional ao ataque sistemático ao Estado Democrático de Direito. Assim como a escultura de Michelangelo Pietà, destruída a marteladas em 1972, a democracia também pode ser restaurada — mas não sem responsabilizar aqueles que tentaram destruí-la.
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