Polícia / Investigação
Gaeco apreende R$ 3 milhões em cheques e mais de R$ 200 mil durante Operação Gutenberg
Força-tarefa cumpriu 14 prisões preventivas, recolheu valores em espécie e mantém buscas por dois investigados ainda foragidos
09/07/2026
15:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
O Gaeco apreendeu mais de R$ 3 milhões em cheques e acima de R$ 200 mil em dinheiro vivo durante as diligências da Operação Gutenberg, iniciada na terça-feira, 7 de julho. A investigação apura um possível esquema de fraudes em contratos públicos que teria movimentado mais de R$ 27 milhões.
Parte das cédulas encontradas durante as buscas era nova e ainda estava envolvida por lacres bancários. O balanço atualizado foi divulgado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado na noite desta quinta-feira, 9 de julho.
Até o momento, foram cumpridos 14 mandados de prisão preventiva e 40 dos 43 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça. Outras três pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
Dois investigados continuam foragidos: Giovanni Paroschi Jafar e o estrategista educacional Heyder Bartz. Giovanni é o quarto integrante da família Paroschi Jafar alcançado pela operação. A mãe dele, a cirurgiã-dentista Rossana Paroschi Jafar, e os irmãos Olívia e Felipe Paroschi Jafar estão presos.
O volume de dinheiro apreendido superou o primeiro balanço divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul. No dia em que a operação foi deflagrada, o órgão havia informado a localização de R$ 69.795 e US$ 907 durante as buscas.
A Operação Gutenberg foi organizada inicialmente para cumprir 16 mandados de prisão preventiva e 43 ordens de busca e apreensão. As diligências ocorreram em Campo Grande, Dourados, São Gabriel do Oeste, Caarapó, Corguinho e Porto Murtinho, além de endereços em São Paulo e Abadiânia, em Goiás.
Segundo o MPMS, a investigação apura a atuação de uma possível organização criminosa envolvida em fraudes em licitações, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outras infrações. O grupo teria direcionado compras públicas de livros paradidáticos por meio de contratações diretas, realizadas com inexigibilidade de licitação.
Os investigadores suspeitam que os recursos recebidos dos cofres públicos eram divididos entre integrantes do esquema, servidores e pessoas físicas ou jurídicas utilizadas para ocultar a origem do dinheiro.
A apuração também alcançou a área da saúde. Conforme o Gaeco, servidores públicos teriam usado influência sobre a regulação estadual para condicionar a autorização de exames, cirurgias e vagas hospitalares à compra dos livros comercializados pelo grupo investigado.
Durante a operação, equipes estiveram no Complexo Regulador Estadual, em Campo Grande, e deixaram o local com um malote contendo documentos e outros materiais apreendidos.
Entre os presos estão empresários, servidores públicos, profissionais da saúde, advogados e o ex-prefeito de Fátima do Sul Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, conhecido como Júnior Vasconcelos. Também foi preso Ed Carlo Britto Burgatt, então coordenador estadual de Regulação Assistencial.
As prisões preventivas de Rossana Paroschi Jafar, da empresária Jessyca Duarte Burgatt e de Júnior Vasconcelos foram mantidas após audiências de custódia realizadas nesta quinta-feira. As defesas preparam pedidos para revogar as prisões e contestam o envolvimento dos clientes nas irregularidades investigadas.
Com a análise dos cheques, do dinheiro e dos documentos recolhidos, o Gaeco pretende rastrear a circulação dos recursos e identificar outros beneficiários do suposto esquema.
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