Campo Grande (MS), Terça-feira, 07 de Julho de 2026

Segurança / Fronteira

Coronel David propõe programa permanente para reforçar segurança nas fronteiras de MS

Plano reúne 13 eixos, prevê integração entre forças policiais e busca transformar o combate ao crime organizado em política contínua de Estado

07/07/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O deputado estadual Coronel David (PL) apresentou nesta terça-feira, 7 de julho, duas propostas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul para ampliar a presença das forças de segurança nas regiões de fronteira e nas divisas do Estado.

As medidas foram protocoladas um dia depois de uma reunião do parlamentar com o secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira. No encontro, realizado na segunda-feira, 6 de julho, o deputado entregou ao Governo do Estado um plano com ações voltadas ao enfrentamento das organizações criminosas.

Uma das propostas é uma indicação encaminhada ao governador Eduardo Riedel (PP) e ao secretário Antonio Carlos Videira. O documento sugere que o Executivo adote o Plano Integrado de Segurança Pública para as Fronteiras e Divisas como referência para as políticas estaduais na área.

A segunda medida é um projeto de lei que cria o Programa Permanente de Segurança de Fronteiras e Divisas, com planejamento contínuo, definição de metas, transparência e integração entre as instituições responsáveis pelo policiamento e pela investigação criminal.

Plano foi elaborado após morte de policial

A iniciativa ganhou força após o assassinato de um policial militar durante uma operação em Corumbá. O episódio levou o parlamentar a defender uma resposta mais estruturada para as regiões consideradas vulneráveis à atuação de grupos criminosos.

Mato Grosso do Sul possui aproximadamente 1,2 mil quilômetros de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. A localização transforma o Estado em uma das principais rotas utilizadas para o tráfico internacional de drogas, armas, munições e mercadorias ilegais.

Segundo Coronel David, as forças de segurança não podem atuar apenas de forma emergencial após crimes ou crises. A proposta busca estabelecer uma política permanente, com planejamento de longo prazo e manutenção das ações mesmo após mudanças de governo.

Documento reúne 13 eixos estratégicos

O plano apresenta 13 áreas prioritárias para o fortalecimento da segurança nas fronteiras e divisas estaduais.

Entre as medidas previstas estão a recomposição do efetivo policial em Corumbá, Ponta Porã e na região norte do Estado, a criação de centros integrados de inteligência e a implantação de um gabinete permanente para coordenar as operações de fronteira.

O texto também propõe reforço das polícias Militar, Civil e Penal, ampliação do policiamento fluvial no Rio Paraguai e maior utilização de equipamentos tecnológicos.

O uso de drones, câmeras inteligentes e sistemas de reconhecimento facial aparece entre as ferramentas sugeridas para monitorar áreas críticas e apoiar investigações.

Outro eixo trata do combate ao patrimônio das organizações criminosas, com medidas destinadas a identificar, bloquear e confiscar recursos financeiros ligados ao tráfico e a outras atividades ilegais.

Metas incluem redução de homicídios e ataques

O plano estabelece objetivos como a redução dos homicídios nas regiões de fronteira, a diminuição de ataques contra agentes de segurança e o aumento das apreensões de drogas, armas e munições.

Também estão previstas ações para localizar e prender lideranças criminosas, interromper rotas de tráfico e enfraquecer financeiramente as facções.

A proposta defende ainda maior cooperação entre as forças estaduais, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e os órgãos de inteligência.

Para o parlamentar, a integração é necessária porque os crimes praticados na faixa de fronteira ultrapassam os limites dos municípios e, em muitos casos, envolvem estruturas criminosas que atuam em diferentes estados e países.

Projeto busca garantir continuidade administrativa

A indicação apresentada pelo deputado funciona como uma sugestão ao Poder Executivo para que o plano seja incorporado às estratégias estaduais de segurança.

Já o projeto de lei pretende criar uma base legal permanente, impedindo que as ações sejam interrompidas ou abandonadas com mudanças na administração estadual.

A implantação das medidas dependerá da análise do Governo do Estado, da tramitação do projeto na Assembleia e da disponibilidade de recursos orçamentários.

Caso avance, o programa poderá ampliar o efetivo, a inteligência e o uso de tecnologia nas regiões mais expostas ao tráfico internacional, com impacto direto na proteção dos moradores e no trabalho dos agentes de segurança em Mato Grosso do Sul.


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