Justiça / Política
Moraes dá 15 dias para PGR avaliar relatório da PF sobre Flávio Bolsonaro
Investigação aponta suposta calúnia contra Lula em publicação que associava o presidente a crimes atribuídos a Nicolás Maduro
29/06/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu prazo de 15 dias para que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre relatório da Polícia Federal que concluiu haver indícios de crime de calúnia cometido pelo senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.
A decisão é de sexta-feira, 26 de junho, e foi publicada no processo nesta segunda-feira, 29 de junho. Agora, caberá à PGR avaliar o material produzido pela PF e decidir se apresenta denúncia, pede novas diligências ou solicita o arquivamento do caso.
A investigação teve origem em pedido do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O órgão apontou que, em 3 de janeiro, Flávio Bolsonaro publicou imagens que associavam o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao presidente Lula, com menção a crimes como tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, além de eleições fraudadas.
No relatório, a Polícia Federal entendeu que a publicação atribuiu falsamente ao presidente brasileiro a prática de crimes. A conclusão da investigação é que a postagem teria ultrapassado o campo da crítica política e caracterizado imputação criminosa.
Segundo a PF, ao afirmar que Lula seria “delatado” e, em seguida, listar crimes associados a Maduro, o senador teria feito referência ao instituto da colaboração premiada, usado em investigações criminais. Para os investigadores, a construção da mensagem indicaria que o presidente brasileiro teria participado de crimes e poderia ser mencionado em eventual delação.
A defesa de Flávio Bolsonaro apresentou uma série de requerimentos durante o inquérito. Entre os pedidos estava a oitiva de testemunhas como a líder da oposição venezuelana María Corina Machado, o procurador-geral dos Estados Unidos, Walter Joseph Clayton, o senador Sérgio Moro, o ex-procurador Deltan Dallagnol e o próprio presidente Lula.
Os advogados também queriam que Flávio Bolsonaro fosse ouvido apenas depois dessas oitivas. O delegado responsável pelo caso rejeitou os pedidos em maio, sob o argumento de que as diligências seriam irrelevantes para o resultado do inquérito e teriam caráter protelatório.
A defesa recorreu ao STF, mas Alexandre de Moraes também negou a solicitação. Com isso, o relatório final foi encaminhado para análise do Ministério Público.
Em trecho do relatório, a Polícia Federal afirma que “fica claro” que Flávio Bolsonaro, por meio da postagem, teria imputado falsamente a Lula os crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro.
O crime de calúnia está previsto no Código Penal e tem pena de seis meses a um ano de detenção, além de multa. A legislação prevê aumento de pena em um terço quando o crime é cometido contra o presidente da República ou chefe de governo estrangeiro.
Também há agravamento quando a ofensa é praticada ou divulgada em redes sociais. Nesse caso, a pena pode ser aplicada em triplo, conforme a forma de divulgação analisada no processo.
A manifestação da PGR será a próxima etapa do caso. Até lá, a conclusão da Polícia Federal não representa condenação nem abertura automática de ação penal. O andamento dependerá da avaliação do Ministério Público e das decisões posteriores do Supremo Tribunal Federal.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Brasil repete escalação e enfrenta o Japão no mata-mata da Copa
Leia Mais
Michelle deixa de seguir enteados e amplia sinais de crise na família Bolsonaro
Leia Mais
Laudo aponta choque anafilático como causa da morte de Grazielle Machado
Leia Mais
TJMS forma maioria para derrubar medida protetiva de Adriane Lopes contra influenciador
Municípios