Campo Grande (MS), Domingo, 28 de Junho de 2026

Economia / Comércio

Fecomércio-MS prepara Plano 100 e quer ampliar presença nos 79 municípios

Novo presidente, Juliano Wertheimer, defende interiorização, qualificação profissional, tecnologia e fortalecimento do setor empresarial

28/06/2026

08:00

DA REDAÇÃO

presidente Juliano Wertheimer

A Fecomércio-MS iniciou uma nova fase de gestão com a promessa de ampliar sua atuação em todo Mato Grosso do Sul e aproximar ainda mais o Sistema Comércio dos empresários. À frente da entidade, o novo presidente Juliano Wertheimer afirma que uma das primeiras entregas será o Plano 100, um conjunto de ações estratégicas para os primeiros 100 dias de trabalho.

A proposta, segundo ele, reunirá pelo menos dez projetos estruturantes, com metas, indicadores e cronogramas. A expectativa é apresentar o plano à sociedade nas próximas semanas, com medidas voltadas ao fortalecimento do comércio, dos serviços, do turismo, da qualificação profissional e da representatividade empresarial no Estado.

Entre as prioridades da nova gestão está a interiorização do Sistema Comércio, formado pela Fecomércio-MS, Sesc, Senac e pelo Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento. A intenção é fortalecer a presença da instituição nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, levando capacitação, serviços e apoio institucional para empresas de diferentes regiões.

De acordo com Juliano Wertheimer, a federação já atua no interior, mas a meta agora é ampliar essa presença de forma mais efetiva. Ele destaca que o comércio e o setor de serviços precisam estar preparados para aproveitar o atual ciclo de crescimento econômico de Mato Grosso do Sul.

“O nosso objetivo é ampliar ainda mais a presença do Sistema em todo o Estado. Embora já estejamos presentes no interior, queremos fortalecer nossa atuação nos 79 municípios de Mato Grosso do Sul, levando serviços, capacitação e representatividade a todas as regiões”, afirmou.

A estrutura da federação é formada por sindicatos patronais que representam diferentes segmentos econômicos, com atuação em cidades como Corumbá, Naviraí, Ponta Porã, Três Lagoas, além de entidades ligadas ao comércio, hotelaria, gastronomia, despachantes e outros setores.

Para o novo presidente, esses sindicatos terão papel central na identificação das necessidades de cada categoria e de cada região. A partir desse levantamento, a entidade pretende construir um plano de trabalho mais conectado à realidade dos empresários.

“Com essas contribuições, será possível construir um plano de trabalho que contemple as necessidades dos diferentes segmentos econômicos e fortaleça o desenvolvimento de todo o setor”, disse Juliano Wertheimer.

Outro ponto considerado estratégico é a entrega de valor ao empresariado. Como o Sistema Comércio é mantido por recursos provenientes das empresas, a avaliação da nova gestão é que a federação precisa retribuir esse investimento por meio de serviços de qualidade, capacitação, representação institucional e defesa dos interesses do setor produtivo.

Juliano Wertheimer também reconheceu o trabalho realizado até aqui e afirmou que a troca de comando não altera a solidez da instituição. Segundo ele, o Sesc e o Senac contam com equipes experientes, incluindo profissionais com 30, 35, 40 e até 44 anos de atuação dentro do sistema.

“O Sesc Senac tem pessoas maravilhosas, pessoas com 30, 35, 40, 44 anos de casa. Então, uma entidade dessa não se abala com uma troca de presidência”, afirmou.

Na nova etapa, a intenção é fortalecer a atuação institucional da federação junto ao poder público. O presidente afirma que a entidade terá papel mais ativo na defesa dos empresários, na busca por diálogo com governos e na discussão de políticas que impactam diretamente o setor produtivo.

“Faremos um trabalho ainda mais consistente da porta para fora, que é de representatividade, de luta pelos direitos dos empresários, pela busca de um diálogo com o governo e o poder público, e da defesa dos interesses dos empresários. Agora eles vão sentir toda a máquina trabalhando para eles”, declarou.

A qualificação profissional também aparece entre os principais desafios. Segundo Juliano Wertheimer, muitas empresas têm vagas abertas, mas não encontram trabalhadores com a formação adequada. Para enfrentar esse problema, o Senac deverá atuar de forma mais próxima das empresas, identificando quais competências são exigidas em cada setor.

A ideia é adaptar cursos, horários, formatos e cargas horárias para atender tanto quem busca a primeira oportunidade quanto trabalhadores já empregados que precisam se atualizar sem comprometer a jornada.

O presidente avalia que a formação técnica é fundamental, mas destaca que o comportamento profissional também pesa nas contratações. Para ele, comprometimento, pontualidade, responsabilidade e disposição para aprender são diferenciais importantes dentro das empresas.

“As empresas contratam pelas competências técnicas, mas, muitas vezes, desligam colaboradores por questões comportamentais. É possível ensinar uma função, desenvolver habilidades e capacitar um profissional. Já características como comprometimento, responsabilidade, pontualidade e disposição para aprender fazem toda a diferença”, afirmou.

No campo social, a Fecomércio-MS também pretende atuar para ajudar mães a retornarem ao mercado de trabalho. Um dos projetos em estudo é a oferta de até mil vagas de educação infantil, distribuídas em diferentes regiões do Estado, por meio do Sesc.

A proposta busca atender especialmente mães chefes de família, que muitas vezes deixam de trabalhar por falta de vaga em creche. Para a entidade, a medida pode beneficiar famílias, empresas e a economia, ao ampliar a participação de mulheres no mercado de trabalho.

Além da mão de obra, outro desafio apontado pela nova gestão é o endividamento das empresas. Segundo Juliano Wertheimer, muitos empresários contrataram linhas de crédito durante a pandemia em condições mais favoráveis, mas agora enfrentam juros mais altos e maior dificuldade para investir e crescer.

A transformação digital também será uma das frentes de atuação. A Fecomércio-MS pretende facilitar o acesso de pequenas empresas a ferramentas tecnológicas que já são comuns em grandes organizações. O objetivo é aumentar produtividade, reduzir custos e melhorar a competitividade dos pequenos negócios.

Para o comércio exterior, a federação está estruturando o FECOMEX, o Núcleo de Comércio Exterior da Fecomércio-MS. A proposta é orientar e capacitar empresas sul-mato-grossenses para atuar em operações de importação e exportação com mais autonomia.

O programa deve incluir treinamentos sobre habilitação para comércio exterior, acesso a mercados internacionais, participação em feiras setoriais e missões empresariais. Uma missão à China já está sendo planejada para o próximo ano.

A meta é fazer com que empresas de Mato Grosso do Sul avancem na cadeia de valor, ampliem mercados e passem a atuar de forma mais competitiva tanto no ambiente físico quanto no digital.

Outro tema em debate é a possível mudança na escala de trabalho 6x1. Juliano Wertheimer afirma que a discussão precisa considerar os impactos econômicos e sociais, especialmente o risco de aumento dos custos operacionais para as empresas e possível repasse aos preços de produtos e serviços.

Nesse contexto, a federação acompanha a chamada PEC da Liberdade, proposta que busca ampliar possibilidades de negociação entre empregadores e trabalhadores, sem encerrar a discussão sobre escalas. A ideia é permitir modelos mais flexíveis de contratação, com remuneração proporcional e preservação de direitos trabalhistas.

Segundo o presidente da Fecomércio-MS, a proposta já conta com apoio do senador Nelsinho Trad e da senadora Tereza Cristina, além de conversas com a senadora Soraya Thronicke.

A regulamentação da Reforma Tributária também preocupa o setor empresarial. Para Juliano Wertheimer, ainda há muitas dúvidas entre os empresários, inclusive por causa da quantidade de informações incompletas ou contraditórias sobre o tema.

Ele afirma que a Fecomércio-MS terá papel importante na orientação do setor produtivo durante a transição. Um dos pontos acompanhados pela entidade é o benefício fiscal para bares e restaurantes de Mato Grosso do Sul, prorrogado até dezembro de 2026, com intenção de buscar extensão até 2030.

Para a federação, o novo modelo tributário exigirá que empresas sejam mais competitivas e eficientes. A preparação antecipada será decisiva para manter margens, atrair novos investimentos e enfrentar a concorrência de outros estados.

O fortalecimento do turismo de negócios também está entre as prioridades. A proposta da nova gestão é consolidar Campo Grande como um hub empresarial, capaz de receber grandes eventos, feiras, congressos e encontros corporativos.

Na avaliação de Juliano Wertheimer, o Estado vive um momento econômico favorável, mas precisa transformar esse crescimento em oportunidades concretas para empresas, trabalhadores e consumidores. Por isso, a federação pretende atuar em várias frentes ao mesmo tempo: qualificação, tecnologia, comércio exterior, turismo, representação institucional e diálogo com o poder público.

O Plano 100 deve funcionar como o primeiro mapa da nova gestão. Embora os projetos tenham impacto de médio e longo prazo, a intenção é iniciar etapas ainda em 2026, com entregas visíveis já nos primeiros meses de mandato.

A expectativa da Fecomércio-MS é que a nova fase ajude a fortalecer o setor produtivo, amplie a competitividade das empresas e gere reflexos práticos na economia de Mato Grosso do Sul, com mais emprego, renda, qualificação e desenvolvimento regional.


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