Campo Grande (MS), Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

Política / Governo

Jaques Wagner tenta convencer Lula a mantê-lo na liderança até o recesso

Senador é investigado no caso Banco Master e busca permanecer no posto ao menos até 19 de julho

24/06/2026

10:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia, chega a Brasília nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, disposto a tentar convencer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a mantê-lo no cargo pelo menos até o início do recesso parlamentar, marcado para 19 de julho.

O senador passou a enfrentar pressão interna após ser alvo de investigação relacionada ao Banco Master. Nos bastidores do governo, auxiliares de Lula avaliam que a permanência de Wagner na liderança se tornou politicamente difícil, embora o presidente prefira que uma eventual saída seja apresentada como decisão do próprio parlamentar.

Em conversas com aliados, Jaques Wagner afirma ser inocente das suspeitas de ter atuado em favor de interesses do Banco Master no Congresso. Por isso, sustenta que não haveria motivo para pedir licença da liderança neste momento.

O senador também argumenta que um afastamento agora poderia afetar o palanque de Lula na Bahia, estado considerado estratégico para a campanha de reeleição do presidente. Wagner foi governador baiano e mantém forte presença política no Estado.

Apesar da resistência do senador, integrantes do governo afirmam que Lula pretende convencê-lo a deixar o posto. Caso isso não ocorra, o presidente poderia ser levado a afastá-lo da função, cenário que o Planalto tenta evitar para reduzir o desgaste político.

Havia expectativa de uma conversa entre Lula e Wagner nesta quarta-feira. Até a noite de terça-feira, 23 de junho, no entanto, o encontro ainda não constava oficialmente na agenda.

Paralelamente à articulação política, Jaques Wagner pretende manter os questionamentos judiciais contra a operação da qual foi alvo. A defesa apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal para tentar anular a decisão do ministro André Mendonça, que autorizou buscas em endereços ligados ao senador.

No recurso, a defesa sustenta que houve “erros graves” na medida. Aliados dizem que, na avaliação de Wagner, Lula estaria sendo levado a conclusões equivocadas pela Polícia Federal.

O senador também tem citado a relação de amizade de mais de 48 anos com Lula como um fator que poderia pesar na decisão presidencial. No dia da operação, o presidente telefonou duas vezes para Wagner. Em uma das conversas, o senador teria lembrado essa convivência para afirmar que Lula conhece sua trajetória.

Na semana passada, ministros e aliados do governo iniciaram uma operação de convencimento para que o líder do governo no Senado entregasse o cargo. A avaliação no Planalto é de que a investigação interrompeu uma sequência de notícias favoráveis ao presidente e passou a gerar desgaste direto para o governo.

A leitura de auxiliares é que a permanência de Wagner na liderança mantém o caso sob maior exposição e pode dificultar a própria defesa do senador. A sugestão feita por interlocutores é que ele deixe temporariamente a função para se dedicar aos questionamentos judiciais.

Ministros afirmam que os telefonemas de Lula não devem ser interpretados como garantia de permanência no cargo. A avaliação é que o presidente fez um gesto pessoal de solidariedade, mas busca uma saída política que não pareça rompimento ou falta de confiança.

Nos bastidores, também há incômodo com declarações dadas por Wagner em entrevista à BandNews TV, quando o senador mencionou a confiança de Lula em sua integridade. Para integrantes do governo, a fala acabou levando o problema para dentro do Palácio do Planalto.

A investigação apura suspeitas envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro. Jaques Wagner nega irregularidades e tenta preservar sua posição política enquanto a defesa questiona a legalidade das medidas autorizadas pelo STF.

A decisão sobre a liderança no Senado deve ser tratada como uma das principais questões políticas do governo nos próximos dias. Até lá, Wagner tenta ganhar tempo e permanecer no posto ao menos até o recesso parlamentar.


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