Esporte / Corrida
Meia Maratona em Campo Grande premia campeões e já coloca vencedores na rota da São Silvestre
Prova em homenagem a Yeltsin Jacques reuniu cerca de 2 mil atletas, teve percurso exigente pela região Centro-Sul e foi marcada por relatos de superação
12/04/2026
08:00
DA REDAÇÃO
Vencedor da Meia Maratona Yeltsin Jacques, Jacson Marlon cruza a linha de chegada às 6h53 ©Osmar Veiga
A Meia Maratona Cidade Morena Yeltsin Jacques 2026 definiu na manhã deste domingo, 12 de abril, em Campo Grande, os vencedores da principal disputa dos 21 quilômetros. No masculino, o primeiro lugar ficou com Jackson Marlon, de 35 anos, morador de Rochedo. No feminino, a campeã foi a professora Adriely Barbosa, de 37 anos. Além da vitória, os dois garantiram vaga na tradicional Corrida Internacional de São Silvestre, marcada para o dia 31 de dezembro, em São Paulo.
A competição reuniu cerca de 2 mil atletas e contou também com prova de 5 quilômetros. A largada começou às 5h35, na Esplanada Ferroviária, com trajeto passando por pontos conhecidos da Capital, como Maria Fumaça, Relógio da Calógeras, Lago do Amor, Praça do Preto Velho, Rua 14 de Julho e Estádio Morenão.
O desenho do percurso foi apontado pelos corredores como um dos grandes desafios da manhã. Trechos com subidas, mudanças de inclinação e presença de vento exigiram mais resistência física dos participantes. Mesmo com o grau de dificuldade, o clima entre os atletas foi de entusiasmo, superação e reconhecimento pela proposta da prova, que presta homenagem ao atleta paralímpico Yeltsin Jacques.
Vencedor entre os homens, Jackson Marlon completou os 21 km em 1h19, encerrando sua prova às 6h53. Ele contou que começou a correr por motivos de saúde, mas decidiu levar o esporte mais a sério ao perceber evolução no desempenho. Segundo o atleta, o percurso exigiu bastante em razão da alternância entre subidas e descidas, além do vento em parte do trajeto. Com a conquista, ele já pensa na próxima meta e projeta a preparação para a disputa da São Silvestre.
No feminino, Adriely Barbosa concluiu a prova em 1h32, cruzando a linha de chegada por volta das 7h12. Corredora há cinco anos, ela relatou que encontrou na corrida uma mudança profunda de vida. Segundo a professora, o esporte foi decisivo em um período difícil e ajudou a enfrentar questões emocionais, depois de começar de forma simples, apenas com caminhadas. Para ela, o percurso foi pesado e exigiu esforço extra, especialmente pelas subidas. Agora, com a vaga assegurada, Adriely já organiza o calendário até focar totalmente na corrida de fim de ano.
Além dos campeões, a prova foi marcada por histórias pessoais que deram ainda mais peso ao evento. O engenheiro agrônomo Claudemir Azevedo, de 32 anos, se emocionou ao completar o percurso. Ao cruzar a chegada, ajoelhou-se e beijou um terço e uma pulseira de Nossa Senhora, gesto que resumiu o significado da corrida em sua trajetória. Ele contou que passou a correr depois de enfrentar uma fase difícil e disse que o esporte ajudou a ocupar a mente e a recuperar o equilíbrio.
Outra participante, a professora Nayara Vieira, de 30 anos, completou sua primeira meia maratona e definiu o percurso como exigente. Corredora há cerca de um ano, ela relatou que entrou na modalidade por meio de um grupo e destacou que, apesar de agradável, o trajeto cobrou bastante fisicamente, sobretudo nos trechos de subida.
Entre os veteranos, o pintor Dercy Gonçalves, de 69 anos, chamou atenção pela longa relação com as corridas. Praticante da modalidade há 25 anos, ele afirmou que começou depois de interromper a rotina no futebol por causa de uma fratura na perna. Desde então, não parou mais. Segundo ele, a corrida trouxe ganhos diretos para a saúde, com melhora da pressão arterial, do peso e dos índices de triglicerídeos. Sobre a prova deste domingo, reforçou que o trecho do Morenão foi um dos mais desgastantes.
Idealizador da competição, Yeltsin Jacques explicou que a proposta do percurso foi mostrar um pouco mais da região central de Campo Grande, cidade onde nasceu e deu os primeiros passos no esporte. Ele destacou que a prova tem características próprias e um trajeto considerado bonito, embora duro, justamente por refletir a realidade de correr na Capital sul-mato-grossense.
Além da classificação para a São Silvestre, os atletas concorreram a premiações como smart TV de 55 polegadas, bicicleta, relógios Garmin e outros brindes. A competição também teve categorias por faixa etária e divisões para PcD (pessoas com deficiência), conforme as normas do Comitê Paralímpico Brasileiro.
Com percurso técnico, grande participação popular e histórias que vão além do resultado esportivo, a edição de 2026 da Meia Maratona Cidade Morena reforçou seu espaço no calendário de corridas de rua de Campo Grande e já deixou os campeões com o próximo desafio no horizonte.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Carreta tomba na MS-040 e interdita trecho entre Santa Rita do Pardo e Campo Grande
Leia Mais
Governo prepara sistema para identificar chamadas confiáveis e dificultar golpes telefônicos
Leia Mais
Skyros rouba a cena na abertura da Expogrande 2026 e leva tecnologia brasileira ao centro da feira
Leia Mais
Carlos Bolsonaro cobra reação de Valdemar e expõe mal-estar no comando do PL
Municípios