Campo Grande (MS), Sábado, 11 de Abril de 2026

Artigo

A lição do show do Guns N'Roses

Com o evidente fracasso do acesso -e retorno – das pessoas ao show do Guns N’ Roses fica algumas lições.

10/04/2026

13:30

FAYEZ  FEIZ JOSÉ RISK

©PAULO FRANCIS

A primeira e principal: Mobilidade Urbana não é – só – trânsito, ou dito de maneira diferente, trânsito não se confunde com mobilidade urbana, é apenas um componente. Mas esse é um conceito desconhecido pela maioria das autoridades, e a realidade é que nem a Prefeitura, a quem cabe a planejar, operar e fiscalizar essa mobilidade tem realmente um departamento de mobilidade urbana. Aliás, nem o Estado tem, diga-se de passagem.

Mas eis aí um outro componente desprezado: a operação de tráfego. Infelizmente os órgãos de trânsito tem, a meu conhecimento, uma dedicação errônea à fiscalização de trânsito, incluindo-se o conceito equivocado de que essa fiscalização seja feita com aparato e treinamento policial.

Uma das conquistas do Código de Trânsito Brasileiro foi a retirada do termo “policiamento de trânsito” substituída por “fiscalização de trânsito” e retirando-se todo estrutura legal da área de segurança pública para a área de planejamento urbano, antes no Ministério das Cidades e agora no de Transportes.

Exemplo simples de operação de tráfego: um OPERADOR de tráfego – que pode ser também um fiscal de tráfego – determina que um motorista campo-grandense não pare à sombra, vinte metros antes da faixa de retenção do semáforo. Já não presenciaram essa situação, sem o operador?!!!

Mas especificamente sobre essa pedra cantada que foi o fracasso da mobilidade urbana no show do Guns N’ Roses: era evidente que o deslocamento do público previsto não seria feito de forma adequada.

Vamos fazer um exercício de matemática: 30 mil pessoas, se todas fossem deslocadas em veículos leves, com cinco pessoas por veículo, seriam necessários 6 mil veículos. Ora, em uma rodovia de pista simples teríamos aproximadamente 36 km de fila de veículos andando todos a 40 km /h, o que é simplesmente impossível, e explicarei o porquê.

Primeiro que todos teriam que sair na mesma hora, andarem todos na mesma velocidade, todos com cinco passageiros e todos do mesmo tamanho!

Com ônibus seriam necessários cerca de 750 ônibus, em uma única viagem, e provavelmente não teríamos esse número disponível.

E a sinalização temporária? Sim, há previsão legal para sinalização temporária, com cones de fechamento ou ordenamento de tráfego, placas de proibição de parada e estacionamento etc. Aliás, quem deve pagar por isso, pergunta que fica no ar...

Mas há solução de mobilidade para um novo evento desse porte no autódromo? Eu arrisco a dizer que sim, com bom planejamento da logística e estrutura necessária, embora esse fracasso deva reduzir, e muito, a confiança do público, especialmente do novo publico que foi atraído para esse espetáculo, vindo do interior do Brasil e do Paraguai e Bolívia, que trouxe certamente benefícios econômicos para a cidade e o Estado.

Como um lembrete: mobilidade urbana é matéria de Urbanismo, atribuição legal de Arquitetos e Engenheiros.

E que as autoridades fiquem cientes desses equívocos cometidos.

*ARQUITETO E URBANISTA EM CAMPO GRANDE


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