Campo Grande (MS), Domingo, 05 de Abril de 2026

Política / Partidos

Federação União Progressista vira campo de disputa acirrada e pode deixar nomes de peso fora da Câmara em MS

Entrada de lideranças como Dagoberto Nogueira e Geraldo Resende inflou a chapa federal do bloco e elevou o risco de derrota interna entre favoritos à reeleição e pré-candidatos competitivos

01/04/2026

18:00

DA REDAÇÃO

©REPRODUÇÃO

A formação da chapa de deputado federal da federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, passou a ser tratada nos bastidores políticos de Mato Grosso do Sul como uma “chapa da morte”, em razão da concentração de nomes competitivos em um mesmo grupo. A avaliação que circula entre lideranças e foi refletida no noticiário local é de que a superlotação da nominata aumentou a concorrência interna e pode custar a reeleição de até dois deputados federais atualmente no exercício do mandato.

O quadro ganhou força após a filiação de Dagoberto Nogueira ao PP, oficializada em ato partidário nesta semana, e da ida de Geraldo Resende para o União Brasil, movimento que alterou a engenharia eleitoral da federação em pleno fechamento da janela partidária. Com eles, a chapa passou a reunir quatro nomes de grande densidade eleitoral: Rose Modesto, Geraldo Resende, Dagoberto Nogueira e Luiz Ovando. No desenho atual, três disputam a reeleição, enquanto Rose é tratada por aliados como uma das apostas mais fortes da nominata.

A leitura predominante no meio político é que será muito difícil o grupo conseguir eleger quatro nomes federais. A estimativa mais realista apontada nos bastidores, segundo as reportagens recentes, é de que a federação possa fazer duas cadeiras, com possibilidade de brigar por uma terceira a depender do desempenho global da chapa e do comportamento das sobras eleitorais. Nesse cenário, a concentração de favoritos transforma a disputa em uma guerra interna por votos, aumentando o risco de que nomes competitivos fiquem sem mandato, mesmo com votação expressiva.

As comparações com a eleição anterior ajudam a dimensionar o desafio. Em 2022, o então PSDB elegeu três deputados federais em Mato Grosso do Sul com 316.966 votos, resultado impulsionado por uma chapa que combinava cabeças fortes e uma base complementar de candidatos com votação relevante. Naquele pleito, Beto Pereira teve 97.872 votos, Geraldo Resende alcançou 95.519 e Dagoberto foi eleito com 48.217 votos, dentro de uma nominata que teve desempenho coletivo robusto. A lógica segue a mesma: para ampliar o número de cadeiras, não basta ter apenas puxadores de voto; é necessário também contar com uma “calda” competitiva.

O problema é que, no caso atual da federação União Progressista, a entrada de nomes fortes demais em um mesmo bloco começou a produzir efeito reverso. Pré-candidatos que já estavam encaminhados recuaram ou mudaram de partido ao perceber que a concorrência interna havia se tornado excessiva. Jaime Verruck, que era esperado no campo do PP, acabou se filiando ao Republicanos; Viviane Luiza deixou o PP e foi para o PSDB; e Roberto Hashioka também trocou de rota e seguiu para o Republicanos.

Essas saídas esvaziaram parte da composição que vinha sendo desenhada inicialmente e, ao mesmo tempo, fortaleceram legendas concorrentes. O Republicanos, por exemplo, ganhou musculatura com a chegada de Beto Pereira, Jaime Verruck e, no noticiário local, também passou a ser apontado como destino competitivo para nomes que buscam uma chapa mais equilibrada para a disputa federal. A legenda trabalha com a possibilidade de eleger até dois deputados federais, justamente por ter conseguido montar uma nominata forte, mas menos congestionada do que a da federação adversária.

Mesmo assim, a federação ainda preserva nomes importantes além dos quatro “medalhões”. Reportagens citam, por exemplo, o ex-candidato a deputado federal Carlos Bernardo, que teve votação relevante em 2022, além do ex-prefeito de Dourados, Alan Guedes, e da ex-prefeita de Jardim, Clediane Matzenbacher, como peças que podem contribuir para a composição. A questão central, porém, não é apenas a qualidade dos nomes, mas o fato de que a disputa interna passou a ser tão agressiva que ameaça consumir a força eleitoral do próprio grupo.

A origem desse desequilíbrio está justamente nas mudanças de última hora. Dagoberto era dado como nome certo no PSDB, mas acabou migrando para o PP. Com a saída dele, Geraldo Resende também deixou o ninho tucano e negociou diretamente sua entrada no União Brasil, partido que integra a federação com o progressismo. O movimento contrariou parte da articulação local, que já considerava a chapa praticamente fechada, e produziu o efeito em cadeia que levou ao recuo de outros pré-candidatos.

No fim, o que era para ser uma chapa extremamente forte passou a carregar também um alto potencial de autodesgaste. A federação União Progressista continua sendo uma das estruturas mais competitivas para a disputa da Câmara em Mato Grosso do Sul, mas o excesso de favoritos no mesmo espaço aumentou a chance de baixa eficiência eleitoral. Em vez de garantir proteção aos principais nomes, a chamada “chapa da morte” pode transformar a força coletiva em um problema e deixar pelo menos um — ou até dois — dos atuais favoritos fora da bancada federal em 2026.

 

Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.

Últimas Notícias

Veja Mais

Envie Sua Notícia

Envie pelo site

Envie pelo Whatsapp

Jornal do Estado MS © 2021 Todos os direitos reservados.

PROIBIDA A REPRODUÇÃO, transmissão e redistribuição sem autorização expressa.

Site desenvolvido por: