Política / Eleições 2026
Ministros de Lula aceleram agendas e entregas antes da saída do governo para disputar as eleições
Com prazo de desincompatibilização se encerrando em 4 de abril, auxiliares do Planalto intensificam viagens, anúncios e inaugurações em seus redutos eleitorais
29/03/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Na reta final antes do prazo legal de afastamento, ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram compromissos públicos, viagens e anúncios oficiais em estados onde pretendem disputar as eleições de 2026. A movimentação ocorre às vésperas da desincompatibilização, exigência da legislação eleitoral para ocupantes de cargos públicos que desejam concorrer em outubro. O TSE informa que, em alguns casos, o afastamento precisa ocorrer com antecedência de seis meses em relação ao primeiro turno, marco que neste ano recai em 4 de abril, já que a votação está marcada para 4 de outubro de 2026.
A expectativa em Brasília é de que cerca de 18 ministros deixem a Esplanada dos Ministérios nos próximos dias para disputar vagas na Câmara dos Deputados, no Senado e também cargos nos Executivos estaduais. A tendência é de que as substituições sejam feitas, em boa parte, por nomes já vinculados às próprias estruturas das pastas, numa tentativa de preservar a continuidade administrativa até o fim do mandato. Essa transição deverá ser formalizada em reunião convocada por Lula para a manhã de terça-feira, 31 de março, no Palácio do Planalto, com a participação de ministros que saem e dos futuros substitutos.
Entre os auxiliares que intensificaram agendas está o ministro da Casa Civil, Rui Costa, que ampliou compromissos na Bahia, estado onde foi governador por dois mandatos e onde articula candidatura ao Senado. Nos últimos dias, ele participou de agendas em Itabuna e Salvador relacionadas ao Novo PAC, e a programação prevê novos compromissos em municípios baianos até o início de abril, incluindo um evento ao lado de Lula na capital baiana.
No Ministério do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, apontado como pré-candidato a deputado federal por São Paulo, também concentrou compromissos no estado. Segundo o planejamento divulgado pela pasta, a agenda do fim de semana e do início da semana foi direcionada a ações voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar e à participação em eventos ligados ao setor rural.
Já o ministro do Esporte, André Fufuca, intensificou uma sequência de inaugurações de estruturas esportivas no Norte e no Nordeste, com destaque para compromissos no Maranhão, seu principal reduto político, passando por cidades como Chapadinha e Timon.
O ministro das Cidades, Jader Filho, também ampliou compromissos em seu estado, o Pará, onde deve disputar vaga de deputado federal. A agenda recente incluiu eventos ligados ao programa Minha Casa, Minha Vida, entre eles uma entrega simultânea de 2,2 mil unidades habitacionais em Santarém, além de passagens por Bragança, Augusto Corrêa, São João de Pirabas, Altamira e Tomé-Açu.
Outros ministros também reforçaram presença política em seus estados de origem, como Gleisi Hoffmann, no Paraná; Renan Filho, em Alagoas; e Waldez Góes, no Amapá, em meio ao calendário de despedidas da equipe ministerial.
A reorganização do governo ocorre em meio ao avanço do calendário eleitoral aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral. Além do prazo de desincompatibilização, o cronograma oficial já estabelece uma série de marcos para o pleito de 2026, consolidando o ambiente pré-eleitoral em Brasília e nos estados. O próprio TSE publicou neste mês a Resolução nº 23.760, de 2 de março de 2026, que fixa o calendário das eleições gerais deste ano.
Nos bastidores, a ofensiva de agendas é interpretada como uma tentativa de dar visibilidade às entregas do governo federal e, ao mesmo tempo, fortalecer a presença eleitoral dos ministros em seus respectivos redutos. Com a aproximação de 4 de abril, a tendência é de intensificação ainda maior desse movimento, antes da troca formal no comando de parte relevante da equipe de Lula.
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