Saúde Pública
Estado convoca 11 auditores para examinar contas da Santa Casa após aporte de R$ 54 milhões
Auditoria especial foi formalizada por resolução conjunta da CGE e SES e atende exigência firmada em acordo mediado pelo MPMS
18/02/2026
14:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Menos de dois meses após o repasse emergencial de R$ 54 milhões à Santa Casa de Campo Grande, o Governo de Mato Grosso do Sul oficializou a criação de uma auditoria especial para realizar um pente-fino nas contas da instituição. A medida foi formalizada por meio de resolução conjunta publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (18), assinada pela Controladoria-Geral do Estado (CGE) e pela Secretaria de Estado de Saúde (SES).
A auditoria cumpre uma das condições estabelecidas no acordo mediado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) no fim de dezembro, quando o hospital alegava risco de paralisação dos serviços por atraso no pagamento de médicos e funcionários. O Estado condicionou o socorro financeiro à revisão detalhada da gestão financeira e administrativa da entidade.
Conforme a resolução, a equipe irá:
Analisar a aplicação dos recursos públicos repassados ao hospital;
Verificar a conformidade das despesas com normas de contabilidade pública e privada;
Avaliar o modelo de gestão e a estrutura organizacional;
Fiscalizar contratos de terceirização e quarteirização;
Conferir o cumprimento das metas assistenciais pactuadas;
Identificar pontos críticos que exijam deliberação junto ao Centro de Acompanhamento do MPMS (Compor).
A coordenação dos trabalhos ficará sob responsabilidade da auditora-geral do Estado, Patrícia Helena Salamene, e da auditora de serviços de saúde, Janaina Trevisan Andreotti. Ao todo, 11 servidores da CGE e da SES foram designados para integrar a força-tarefa.
A resolução também prevê a possibilidade de participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde e da Controladoria-Geral do Município de Campo Grande, mediante indicação formal.
O termo firmado estabeleceu que os recursos extraordinários devem ser utilizados exclusivamente para:
Pagamento de médicos contratados como pessoa jurídica;
Quitação do 13º salário.
Os valores foram mantidos em conta específica, garantindo rastreabilidade e controle da destinação. O acordo também determinou a implementação de fiscalização independente e acompanhamento contínuo por comissão composta por representantes do Estado, do Município e do MPMS.
Com a formalização da equipe e definição do escopo, a auditoria deixa de ser apenas previsão contratual e passa a ter execução oficial. O relatório final poderá apontar se a crise financeira da Santa Casa decorre exclusivamente de insuficiência de recursos ou se envolve falhas estruturais de gestão, que demandem ajustes para evitar novo colapso no atendimento hospitalar.
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