Política / Tributação
Prefeitura avalia separar IPTU e taxa do lixo em 2026 e enviar cobranças distintas aos contribuintes
Secretário Ulisses Rocha afirma que Executivo estuda dois códigos de barras ou boletos independentes para dar mais transparência ao pagamento
16/02/2026
08:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A Prefeitura de Campo Grande estuda alterar o modelo de cobrança do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) a partir de 2026, separando a taxa do lixo do imposto principal. A informação foi confirmada pelo secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha, que afirmou que reuniões técnicas serão realizadas para definir o formato da mudança.
Atualmente, o valor do IPTU e da taxa de coleta de resíduos sólidos é enviado no mesmo carnê, com cobrança unificada. A proposta em análise prevê a emissão de dois códigos de barras distintos ou até mesmo dois boletos separados, permitindo que o contribuinte visualize com clareza cada valor cobrado.
“Na verdade, a gente pensa em como separar isso para o próximo ano, porque vem tudo na mesma cobrança”, explicou Ulisses Rocha, ao comentar o tema após a votação na Câmara Municipal que manteve o veto do Executivo ao projeto que buscava rever o valor da taxa do lixo.
Segundo o secretário, houve sugestões internas baseadas em modelos adotados por outras cidades brasileiras.
A discussão ganhou força após a Câmara Municipal de Campo Grande manter o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto que suspendia os efeitos do Decreto nº 16.402, de 29 de setembro de 2025, responsável por alterar critérios da taxa do lixo.
A votação foi apertada. Foram 14 votos para derrubar o veto e 8 votos para mantê-lo, mas, para que o veto fosse rejeitado, seriam necessários 15 votos favoráveis. Seis vereadores estavam ausentes, o que influenciou o resultado.
O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), que presidiu a sessão e não votou, afirmou que a separação das cobranças pode representar um avanço para o contribuinte.
“É um conforto para o contribuinte. Acho importante para a população ter essa separação do código de barras e fazer dois pagamentos. Os valores embutidos são uma pegadinha com o contribuinte”, declarou.
A taxa do lixo passou a ser alvo de questionamentos após a atualização do PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário), estudo que embasou a nova metodologia de cobrança. O reajuste impactou diretamente o valor final do carnê do IPTU.
Além disso, o desconto para pagamento à vista foi reduzido de 20% para 10%, ponto que também gerou insatisfação entre contribuintes.
Em 12 de janeiro, os vereadores aprovaram, em sessão extraordinária, o Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspendia os efeitos do decreto. O texto, no entanto, foi vetado poucas horas depois pelo Executivo municipal.
Votaram para derrubar o veto (14):
Maicon Nogueira, Professor Riverton, Ronilço Guerreiro, Herculano Borges, Luiza Ribeiro, Jean Ferreira, Ana Portela, Marquinhos Trad, Otávio Trad, André Salineiro, Clodoilson Pires, Flávio Cabo Almi, Rafael Tavares e Veterinário Francisco.
Votaram para manter o veto (8):
Beto Avelar, Carlão, Prof. Juari, Dr. Victor Rocha, Dr. Jamal, Wilson Lands, Leinha e Delei.
Ausentes (6):
Dr. Livio, Fábio Rocha, Coringa, Landmark, Neto Santos e Silvio Pitu.
A eventual separação entre IPTU e taxa do lixo ainda depende de estudos técnicos e definição administrativa. Caso implementada, a medida poderá trazer maior transparência na cobrança tributária municipal, tema que tem gerado debate político e questionamentos judiciais nos últimos meses.
A Prefeitura deve anunciar nos próximos meses se adotará o novo modelo já para o exercício fiscal de 2026.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Sebrae/MS leva inovação, mercado e conexões para Expogrande 2026
Leia Mais
Ambiental MS Pantanal avança com novas tecnologias e acelera obras de esgoto em Mato Grosso do Sul
Leia Mais
Exército prende três militares condenados no núcleo da desinformação da trama golpista
Leia Mais
Homem morre após passar mal durante show do Guns N’ Roses em Campo Grande
Municípios