Política / Justiça
Com 16 operações em 14 meses, Gaeco e Gecoc revelam padrão de fraudes em prefeituras de MS
Investigações apontam superfaturamento, direcionamento de licitações e contratos milionários sob suspeita em diversas cidades do Estado
16/02/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Entre 2025 e fevereiro de 2026, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram 16 operações em Mato Grosso do Sul, mapeando esquemas que envolvem prefeitos, servidores públicos, empresários e agentes políticos.
As investigações indicam um padrão recorrente: fraudes em licitações, contratos sem concorrência efetiva, direcionamento de certames, superfaturamento e pagamento de propina. Em diferentes municípios, os inquéritos revelam a utilização de mecanismos semelhantes para desviar recursos que deveriam financiar serviços públicos essenciais.
A seguir, o panorama das principais operações:
Apurou contratos firmados sem licitação entre a Prefeitura de Coxim e um escritório de advocacia. Segundo o MPMS, mais de R$ 1,5 milhão teriam sido pagos sem comprovação de prestação efetiva de serviços ou retorno financeiro ao município.
Investigação identificou organização criminosa que teria frustrado a competitividade de licitações nas duas cidades. Os contratos investigados somam aproximadamente R$ 9 milhões.
Apontou simulação de concorrência entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial, com compartilhamento de estrutura para induzir o poder público ao erro em dispensas de licitação.
Apurou irregularidades em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som. A Justiça autorizou sete mandados de busca e apreensão.
Investigou fraudes em contratos de manutenção da iluminação pública da Capital. O superfaturamento identificado ultrapassa R$ 62 milhões, segundo os investigadores.
Apurou desvio de R$ 5,4 milhões destinados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, incluindo compra de ressonância magnética e autoclave. Parte dos valores teria sido desviada com pagamento de vantagens indevidas a vereadores.
Investigou contratações por dispensa de licitação para sistemas de armazenamento em nuvem desde 2022, com indícios de fraude sistemática.
Apontou esquema de fraudes em licitações de obras e serviços de engenharia desde 2021, com simulação de concorrência e exigências direcionadas.
Apurou uso de propostas “de cobertura” para legitimar processos licitatórios fraudulentos, com participação de agentes públicos.
Investigação revelou organização criminosa estruturada na administração municipal. O prefeito Henrique Budke (PSDB) chegou a ser preso e está afastado. Contratos sob suspeita somam R$ 15 milhões.
Apurou fraudes em contratos para serviços médicos entre 2019 e 2024, com dano estimado em R$ 3 milhões.
Quarta fase de investigação sobre fraudes em contratos de engenharia e pavimentação asfáltica na prefeitura.
Investigou emissão irregular de certidões de regularização fundiária. Três servidores foram afastados por determinação judicial.
Apurou favorecimento sistemático a empresa vencedora de licitações para fornecimento de estruturas para eventos desde 2022, com indícios de irregularidades.
Identificou direcionamento de licitações com contratos que ultrapassam R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários.
Investigação apura fraude em contratos publicitários envolvendo agentes políticos, servidores da Câmara Municipal e empresários do setor.
Segundo os investigadores, os esquemas apresentam características semelhantes:
Direcionamento de editais
Empresas de fachada ou interligadas
Simulação de concorrência
Superfaturamento
Pagamento de vantagens indevidas
Uso indevido de dispensas de licitação
As operações indicam que os recursos desviados alcançam dezenas de milhões de reais, afetando áreas como saúde, infraestrutura, publicidade institucional, iluminação pública e regularização fundiária.
O Gaeco e o Gecoc atuam de forma integrada com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, com apoio das forças policiais. As investigações seguem em andamento e muitos processos ainda estão em fase de instrução judicial.
As operações revelam a dimensão dos desafios enfrentados no combate à corrupção no Estado, com ramificações que atingem diferentes municípios e setores da administração pública.
As apurações continuam sob sigilo em diversos casos.

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