Campo Grande (MS), Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2026

Política / Justiça

Com 16 operações em 14 meses, Gaeco e Gecoc revelam padrão de fraudes em prefeituras de MS

Investigações apontam superfaturamento, direcionamento de licitações e contratos milionários sob suspeita em diversas cidades do Estado

16/02/2026

11:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

Entre 2025 e fevereiro de 2026, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e o Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram 16 operações em Mato Grosso do Sul, mapeando esquemas que envolvem prefeitos, servidores públicos, empresários e agentes políticos.

As investigações indicam um padrão recorrente: fraudes em licitações, contratos sem concorrência efetiva, direcionamento de certames, superfaturamento e pagamento de propina. Em diferentes municípios, os inquéritos revelam a utilização de mecanismos semelhantes para desviar recursos que deveriam financiar serviços públicos essenciais.

A seguir, o panorama das principais operações:


1) Lucro Certo – Coxim

Apurou contratos firmados sem licitação entre a Prefeitura de Coxim e um escritório de advocacia. Segundo o MPMS, mais de R$ 1,5 milhão teriam sido pagos sem comprovação de prestação efetiva de serviços ou retorno financeiro ao município.


2) Cartas Marcadas – Rio Negro e Corguinho

Investigação identificou organização criminosa que teria frustrado a competitividade de licitações nas duas cidades. Os contratos investigados somam aproximadamente R$ 9 milhões.


3) Collusion – Terenos

Apontou simulação de concorrência entre empresas pertencentes ao mesmo grupo empresarial, com compartilhamento de estrutura para induzir o poder público ao erro em dispensas de licitação.


4) Simulatum – Terenos

Apurou irregularidades em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som. A Justiça autorizou sete mandados de busca e apreensão.


5) Apagar das Luzes – Campo Grande

Investigou fraudes em contratos de manutenção da iluminação pública da Capital. O superfaturamento identificado ultrapassa R$ 62 milhões, segundo os investigadores.


6) Dirty Pix – Sidrolândia

Apurou desvio de R$ 5,4 milhões destinados ao Hospital Elmíria Silvério Barbosa, incluindo compra de ressonância magnética e autoclave. Parte dos valores teria sido desviada com pagamento de vantagens indevidas a vereadores.


7) Fake Cloud – Itaporã

Investigou contratações por dispensa de licitação para sistemas de armazenamento em nuvem desde 2022, com indícios de fraude sistemática.


8) Águas Turvas – Bonito

Apontou esquema de fraudes em licitações de obras e serviços de engenharia desde 2021, com simulação de concorrência e exigências direcionadas.


9) Copertura – Miranda

Apurou uso de propostas “de cobertura” para legitimar processos licitatórios fraudulentos, com participação de agentes públicos.


10) Spotless – Terenos

Investigação revelou organização criminosa estruturada na administração municipal. O prefeito Henrique Budke (PSDB) chegou a ser preso e está afastado. Contratos sob suspeita somam R$ 15 milhões.


11) Auditus – Nioaque

Apurou fraudes em contratos para serviços médicos entre 2019 e 2024, com dano estimado em R$ 3 milhões.


12) Tromper – Sidrolândia

Quarta fase de investigação sobre fraudes em contratos de engenharia e pavimentação asfáltica na prefeitura.


13) Grilagem de Papel – Coxim

Investigou emissão irregular de certidões de regularização fundiária. Três servidores foram afastados por determinação judicial.


14) Backstage – Três Lagoas

Apurou favorecimento sistemático a empresa vencedora de licitações para fornecimento de estruturas para eventos desde 2022, com indícios de irregularidades.


15) Malebolge – Água Clara e Rochedo

Identificou direcionamento de licitações com contratos que ultrapassam R$ 10 milhões, envolvendo servidores e empresários.


16) Ad Blocker – Aquidauana

Investigação apura fraude em contratos publicitários envolvendo agentes políticos, servidores da Câmara Municipal e empresários do setor.


Padrão identificado

Segundo os investigadores, os esquemas apresentam características semelhantes:

  • Direcionamento de editais

  • Empresas de fachada ou interligadas

  • Simulação de concorrência

  • Superfaturamento

  • Pagamento de vantagens indevidas

  • Uso indevido de dispensas de licitação

As operações indicam que os recursos desviados alcançam dezenas de milhões de reais, afetando áreas como saúde, infraestrutura, publicidade institucional, iluminação pública e regularização fundiária.

Atuação permanente

O Gaeco e o Gecoc atuam de forma integrada com o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, com apoio das forças policiais. As investigações seguem em andamento e muitos processos ainda estão em fase de instrução judicial.

As operações revelam a dimensão dos desafios enfrentados no combate à corrupção no Estado, com ramificações que atingem diferentes municípios e setores da administração pública.

As apurações continuam sob sigilo em diversos casos.


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