Campo Grande (MS), Domingo, 15 de Fevereiro de 2026

Política / Justiça

Um mês após transferência para a Papudinha, Bolsonaro mantém articulação política de dentro da prisão

Condenado a 27 anos e 3 meses, ex-presidente recebe aliados e participa da definição de estratégias eleitorais do PL

15/02/2026

09:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) completa neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, um mês de detenção na unidade conhecida como Papudinha, no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (19º BPM). Ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses após condenação por liderar a tentativa de ruptura institucional investigada no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).

Mesmo em regime de custódia, Bolsonaro mantém interlocução ativa com dirigentes e parlamentares do partido, buscando influenciar decisões estratégicas sobre candidaturas e alianças para o pleito deste ano.

Transferência e decisão judicial

Bolsonaro foi transferido para uma Sala de Estado Maior em 15 de janeiro de 2026, após permanecer pouco mais de dois meses na superintendência da Polícia Federal. A decisão foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que avaliou pedidos apresentados pela defesa do ex-presidente.

Na determinação, Moraes registrou que as reclamações feitas por Bolsonaro não possuíam comprovação, mas autorizou a transferência para ambiente que classificou como “mais adequado” às condições previstas na legislação.

Articulação política de dentro da prisão

Em ano eleitoral, Bolsonaro tem utilizado as visitas autorizadas como instrumento de articulação política. A estratégia inclui definição de palanques estaduais, alinhamento de discursos e consolidação de alianças no âmbito nacional.

Entre os aliados que já estiveram na unidade estão o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo interlocutores do partido, as conversas envolveram a organização da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a divisão de responsabilidades regionais.

A movimentação guarda semelhança com o modelo adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2018, quando, preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR), participou das decisões estratégicas do partido e apoiou a candidatura de Fernando Haddad à Presidência.

Agenda de visitas

Para os próximos dias, estão previstas visitas de parlamentares do PL:

  • Bruno Bonetti (PL-RJ) – 18/2, das 8h às 10h

  • Carlos Portinho (PL-RJ) – 18/2, das 11h às 13h

  • Nikolas Ferreira (PL-MG) – 21/2, das 8h às 10h

  • Ubiratan Sanderson (PL-RS) – 21/2, das 11h às 13h

Os encontros devem tratar da organização de candidaturas estaduais e estratégias eleitorais regionais.

Discussão sobre prisão domiciliar

A possibilidade de conversão da pena em prisão domiciliar permanece como pauta defendida por familiares e aliados. Manifestações públicas, como a “Caminhada pela Liberdade”, organizada por Nikolas Ferreira, reforçaram o pedido.

Entretanto, laudo pericial divulgado pela Polícia Federal em 6 de fevereiro de 2026 concluiu que, embora o ex-presidente necessite de acompanhamento médico, não há indicação técnica para transferência ao regime domiciliar ou internação hospitalar.

O cenário indica que, ao menos no curto prazo, Bolsonaro permanecerá na Papudinha enquanto mantém participação indireta nas articulações políticas do partido.


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