Campo Grande (MS), Terça-feira, 03 de Fevereiro de 2026

Política Estadual

Riedel afirma que contenção de gastos seguirá em 2026 até haver clareza do cenário fiscal

Governador defende austeridade como diretriz inegociável, destaca equilíbrio das contas e apresenta balanço econômico e social na abertura do ano legislativo

03/02/2026

12:15

DA REDAÇÃO

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O governador Eduardo Riedel afirmou, nesta terça-feira (3), que a política de contenção de gastos adotada pelo Governo de Mato Grosso do Sul continuará ao longo de 2026, até que haja maior clareza sobre o cenário fiscal nacional e estadual. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems).

Segundo Riedel, a austeridade fiscal é uma premissa inegociável da atual gestão e fundamental para preservar a capacidade de investimento do Estado e o equilíbrio das contas públicas, em meio às incertezas econômicas e à queda de receitas específicas.

“A responsabilidade fiscal é premissa do governo. O que ocorreu no ano passado, de contenção de gastos, vai continuar ocorrendo este ano até que a gente tenha clareza desse momento fiscal”, afirmou o governador.

Queda de receitas e equilíbrio fiscal

Mesmo diante da perda de mais de R$ 1 bilhão em arrecadação, provocada principalmente pela redução da importação de gás boliviano, Mato Grosso do Sul encerrou o último exercício com classificação CAPAG-B, indicador que atesta a capacidade de pagamento do Estado.

Para mitigar os impactos, o governo articulou a transferência de empresas do setor de gás para o território sul-mato-grossense e contou com o apoio da Assembleia Legislativa para autorizar operações de crédito voltadas exclusivamente a investimentos.

“A gente não pode perder a capacidade de investimento nem a qualidade da política pública. A Assembleia foi determinante ao autorizar empréstimos para investimento, permitindo que a gente mantenha controle rígido sobre o custeio”, explicou Riedel.

Defesa da redução dos juros

Ao comentar o cenário macroeconômico nacional, o governador defendeu a redução da taxa Selic, classificando o atual patamar de juros como um entrave ao crescimento do setor produtivo.

“Para o Brasil reagir mais forte, e Mato Grosso do Sul está dentro desse contexto, é preciso diminuir juros. Juros altos travam o crescimento real e favorecem apenas o capital especulativo”, pontuou.

Balanço de governo e pacificação política

Durante discurso de quase 30 minutos no plenário Júlio Maia, Riedel apresentou um balanço dos três primeiros anos de mandato, marcado, segundo ele, pela pacificação política e pelo pragmatismo administrativo.

O governador agradeceu à bancada federal, ao Judiciário e destacou a relação institucional com o Lula, ressaltando que diferenças ideológicas não impediram parcerias em projetos estruturantes.

“Mesmo sendo o presidente Lula de um campo político diferente, soubemos superar divergências para construir uma relação respeitosa e republicana, sempre em prol do interesse público e das necessidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Indicadores econômicos e sociais

Riedel destacou que o Estado registra pleno emprego, com taxa de desocupação de 2,9%, a menor da história, e a oitava maior renda média do país, em R$ 3.469. Nos últimos dois anos, Mato Grosso do Sul atraiu cerca de R$ 80 bilhões em investimentos privados.

Outros indicadores apresentados incluem:

  • Redução da pobreza extrema para 1,6%, com meta de erradicação até o fim do mandato;

  • Menor alíquota modal de ICMS do país e redução de 10% da carga tributária geral;

  • Maior salário do Brasil para professores concursados e expansão do ensino integral para 62% da rede estadual;

  • Queda do abandono escolar para 0,09%.

Saúde, saneamento e infraestrutura

Na saúde, o governador reforçou a estratégia de regionalização, destacando a ampliação de um para quatro hospitais regionais e a implantação da regulação unificada entre Estado e municípios como Campo Grande, Dourados e Três Lagoas.

No saneamento, Mato Grosso do Sul atingiu 75% de cobertura, com meta de universalização até 2028, o que pode tornar o Estado o primeiro do país a alcançar o índice.

Já na infraestrutura, Riedel projetou até o fim de 2026:

  • 855 km de rodovias pavimentadas;

  • 599 km restaurados;

  • R$ 4 bilhões em investimentos diretos.

Ele também citou como estratégicos a Rota da Celulose, com R$ 10 bilhões em investimentos já contratados, a Rota Bioceânica e o futuro leilão da ferrovia Malha Oeste.

Apoio aos municípios

Ao encerrar, o governador destacou o apoio direto às prefeituras, citando a absorção, pelo Estado, de 8,2 mil alunos da rede básica que estavam sob responsabilidade municipal, permitindo que os municípios redirecionem recursos para creches e educação infantil.

Segundo Riedel, a combinação de responsabilidade fiscal, investimentos estruturantes e diálogo institucional será mantida em 2026, mesmo em ano eleitoral, como forma de garantir estabilidade e crescimento sustentável para Mato Grosso do Sul.


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