Polícia / Saúde
PF deflagra operação contra contrabando de medicamentos para emagrecimento em Campo Grande
Ação mira entrada ilegal de Tirzepatida e produtos similares vindos do Paraguai; um homem foi preso em flagrante por posse ilegal de arma
03/02/2026
10:45
DA REDAÇÃO
©ILUSTRAÇÃO
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (3), a Operação Emagrecimento Seguro, com o objetivo de reprimir o contrabando de medicamentos utilizados para emagrecimento em Campo Grande. A ofensiva teve como foco a entrada ilegal de produtos como T.G. e Lipoless MD, comercializados irregularmente após serem trazidos do Paraguai.
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal. As equipes estiveram em duas residências na Capital. Em um dos endereços, a PF apreendeu o telefone celular de uma mulher, alvo da investigação. Durante a diligência, o marido dela foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo.
A operação ocorre em meio ao crescimento do contrabando farmacêutico em Mato Grosso do Sul, impulsionado pela proximidade com a fronteira paraguaia e pela alta demanda por medicamentos para emagrecimento. Segundo investigações, comerciantes adquirem caixas desses produtos no país vizinho e os revendem no Brasil, inclusive em doses fracionadas, por meio de redes informais e até serviços de entrega.
Em 2025, as apreensões de medicamentos emagrecedores superaram, em número de ocorrências, o tráfico de drogas nas rodovias do Estado, evidenciando a dimensão do problema. Apesar das fiscalizações, a demanda contínua mantém o mercado aquecido e amplia os riscos à saúde pública.
Episódios pontuais têm revelado o alcance do esquema. Há registros de servidores e profissionais de áreas sensíveis envolvidos na revenda desses produtos, o que levou a PF a ampliar o foco das investigações para redes de comercialização via delivery e canais digitais.
Paralelamente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária intensificou ações regulatórias. Neste mês, a Anvisa determinou a proibição da retatrutida, em todas as marcas e lotes, por se tratar de substância ainda em fase de testes clínicos em humanos, reforçando o alerta sobre os riscos do consumo sem prescrição e sem registro sanitário.
A Polícia Federal destaca que medicamentos contrabandeados não passam por controle de qualidade, podem ter composição desconhecida e representar grave risco à saúde. As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos da Operação Emagrecimento Seguro não estão descartados.
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