Economia / Finanças Públicas
Tesouro Nacional autoriza empréstimo de R$ 950 milhões para Mato Grosso do Sul, mas impõe nova rodada de exigências fiscais
Operação com aval da União e juros de CDI + 1,51% ao ano depende agora de nova checagem das contas do Estado após atraso na assinatura
15/01/2026
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O Estado de Mato Grosso do Sul recebeu o aval técnico da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) para contratar um empréstimo de R$ 950 milhões junto ao Banco do Brasil, com garantia da União, destinado a financiar projetos estratégicos e investimentos previstos no Plano Plurianual, incluindo a capitalização do fundo garantidor das Parcerias Público-Privadas (PPPs).
A aprovação foi concedida nos últimos dias de dezembro de 2025, após o Tesouro confirmar que o Estado manteve sua Capacidade de Pagamento (Capag) em “B+”, classificação que o habilita a receber garantia federal em operações de crédito.
No entanto, como o contrato não foi assinado até 31 de dezembro, o processo entrou em uma fase adicional de verificação, criando uma nova barreira burocrática para a liberação dos recursos.
A operação aprovada prevê:
Valor: R$ 950 milhões
Banco: Banco do Brasil
Garantia: União
Juros: CDI + 1,51% ao ano
Prazo total: 18 anos
1 ano de carência
17 anos de amortização
Início dos pagamentos: apenas no próximo governo estadual
Além dos juros, o contrato prevê uma tarifa de contratação à vista de 1%, o que representa R$ 9,5 milhões pagos no momento da assinatura.
Os recursos são classificados como “despesas de capital”, ou seja, só podem ser usados para investimentos, incluindo:
Projetos estratégicos do Plano Plurianual (PPA)
Capitalização do Fundo Garantidor das PPPs
Infraestrutura, modernização administrativa e programas estruturantes
Em 8 de janeiro, o Tesouro Nacional emitiu um alerta formal informando que, como a assinatura do contrato não ocorreu dentro do exercício de 2025, a legislação obriga uma nova checagem das contas do Estado.
Para destravar a operação, o Governo de Mato Grosso do Sul precisa enviar a Brasília uma nova rodada de documentos, incluindo:
Comprovação do cumprimento dos mínimos constitucionais de Saúde e Educação em todo o ano de 2025
Demonstrativo de cumprimento da Regra de Ouro para 2025 e 2026
Relatórios de execução orçamentária do último bimestre de 2025
Esses dados servem para garantir que o Estado não comprometeu sua saúde fiscal na virada do exercício.
O Ministério da Fazenda fixou um prazo de validade de 270 dias para o parecer de aprovação, contados a partir de 30 de dezembro de 2025.
O ofício do Tesouro é claro:
Se os documentos complementares não forem enviados
Ou se o contrato não for assinado dentro desse prazo
👉 Todo o processo será anulado, e o Estado terá que reiniciar do zero o pedido de empréstimo, passando novamente por análise técnica, fiscal e política.
A liberação desse crédito é considerada estratégica para:
Sustentar investimentos públicos em 2026
Dar lastro financeiro às PPPs
Preservar a capacidade de execução de obras e projetos estruturantes
Por outro lado, o custo financeiro elevado, atrelado ao CDI, torna a operação sensível às taxas de juros e empurra o peso do pagamento para a próxima gestão estadual.
Se quiser, posso detalhar quanto isso pode custar ao longo dos 18 anos, o impacto sobre o endividamento do Estado ou como funciona o sistema de Capag do Tesouro Nacional.
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