Campo Grande (MS), Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2026

Interior / Bataguassu

Bataguassu se consolida como polo de crédito rural em ano histórico do FCO em Mato Grosso do Sul

Município lidera captação de recursos do fundo em 2025, impulsionado por investimentos em pecuária, solo e infraestrutura agrícola

14/01/2026

08:45

DA REDAÇÃO

Bataguassu lidera atração de investimentos em ano recorde do FCO em Mato Grosso do Sul ©FRANCISCO BRITTO

O Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO) registrou em 2025 o maior volume de contratações da história em Mato Grosso do Sul, impulsionado pelo forte desempenho do agronegócio. Ao longo do ano, o Estado recebeu R$ 3,240 bilhões em financiamentos, valor 20% acima do orçamento inicial de R$ 2,7 bilhões, previsto pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco).

O principal motor desse crescimento foi o FCO Rural, que absorveu 75% dos recursos, equivalente a cerca de R$ 2,43 bilhões. O percentual representa uma mudança relevante em relação aos anos anteriores, quando a divisão entre Rural e Empresarial costumava girar em torno de 60% para o campo e 40% para os setores urbanos.

Dentro desse cenário de forte expansão, o município de Bataguassu se destacou de forma expressiva, consolidando-se como um dos principais destinos do crédito rural no Estado. A cidade concentrou 8,58% de todo o volume aplicado no FCO Rural em Mato Grosso do Sul, superando polos tradicionais como Dourados, com 6,78%, e Sidrolândia, com 6,27%.

O volume de recursos direcionados a Bataguassu reflete o avanço da modernização das atividades agropecuárias na região, especialmente em investimentos voltados ao aumento de produtividade e sustentabilidade ambiental. No conjunto do Estado, as principais finalidades dos financiamentos foram correção de solo e recuperação de pastagens, que somadas responderam por mais de 30% dos investimentos, com impacto direto na produtividade e no sequestro de carbono.

A pecuária de corte também teve peso relevante, com a aquisição de matrizes bovinas representando 12,5% da demanda. Já a infraestrutura produtiva respondeu por parcela importante dos recursos, com sistemas de irrigação concentrando 10,59% das operações e a construção de armazéns outros 7%.

Mesmo com o crescimento expressivo, o perfil dos beneficiários manteve o caráter social do fundo. No setor rural, 72% dos contratos foram firmados por pequenos e médios produtores. No FCO Empresarial, que atende comércio, indústria e serviços, essa mesma faixa representou 52% das operações.

Apesar disso, o segmento urbano apresentou desempenho mais fraco em 2025. Segundo a Semadesc, dois fatores explicam a retração do FCO Empresarial: o custo do crédito, pressionado pela alta da taxa Selic, e as incertezas do cenário macroeconômico, que reduziram o apetite por investimentos em expansão.

Em Campo Grande, onde se concentra a maior parte do setor de serviços do Estado, 41,15% dos financiamentos empresariais foram destinados a capital de giro, o que indica que muitas empresas buscaram o fundo para manter operações, e não para ampliar estruturas físicas ou abrir novas unidades.

Para 2026, a Sudeco já garantiu um orçamento de R$ 3,1 bilhões para Mato Grosso do Sul, o que representa um crescimento de 14% em relação ao ponto de partida de 2025. A expectativa é de que haja recomposição do equilíbrio entre as linhas Rural e Empresarial, com divisão próxima de 50% para cada, desde que as taxas de juros apresentem estabilidade.

O Governo do Estado também aposta na ampliação dos investimentos em fruticultura, especialmente na citricultura, que em 2025 já respondeu por 8,25% da demanda do FCO Rural. A meta é transformar Mato Grosso do Sul em um polo estratégico de produção de frutas, capaz de suprir lacunas de mercado geradas por quebras de safra em outros Estados, como São Paulo.


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