Polícia / Justiça
STF aponta esquema de intimidação ligado a banqueiro Daniel Vorcaro e determina nova prisão
Ministro André Mendonça afirma que grupo investigado mantinha estrutura para monitorar, coagir adversários e interferir em investigações
04/03/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, mantinha uma estrutura organizada para vigiar, pressionar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro. A declaração consta na decisão que autorizou a prisão preventiva do empresário, cumprida na manhã desta quarta-feira (4) durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF).
De acordo com a decisão judicial, as investigações indicam que Vorcaro atuava com aliados próximos na criação de um sistema informal de monitoramento e pressão contra concorrentes, ex-funcionários e jornalistas que publicavam conteúdos considerados prejudiciais aos interesses do grupo.
O ministro também destacou que o banqueiro mantinha contato direto com dois servidores ligados ao Banco Central, que teriam fornecido informações estratégicas ao empresário. São eles o ex-diretor de fiscalização do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana, apontados na investigação como colaboradores informais do banqueiro.
A decisão de Mendonça atendeu a pedido apresentado pela Polícia Federal, após ele assumir a relatoria do caso no lugar do ministro Dias Toffoli, que anteriormente havia determinado a prisão de Vorcaro em novembro, substituindo posteriormente a medida por monitoramento com tornozeleira eletrônica.
Além de Vorcaro, o ministro determinou a prisão de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, descrito nas investigações como responsável por funções financeiras do grupo, incluindo pagamentos e cobranças.
Segundo os investigadores, Zettel realizava transferências destinadas a um grupo informal denominado “A Turma”, que teria sido criado para vigiar, coletar informações e intimidar pessoas consideradas adversárias do grupo financeiro.
Com base em relatórios da Polícia Federal, Mendonça descreveu o grupo como uma estrutura dedicada à obtenção de informações sensíveis e à realização de atos de coação e pressão contra alvos específicos.
Entre os investigados está Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado em mensagens no celular de Vorcaro como “Felipe Mourão”, apelidado de “Sicário”. Segundo a decisão judicial, ele seria responsável por atividades de monitoramento, coleta de informações e neutralização de situações consideradas prejudiciais ao grupo.
As investigações indicam que Mourão recebia pagamentos mensais que chegavam a R$ 1 milhão.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o grupo discutia ações diretas contra pessoas consideradas opositoras. Em uma troca de mensagens entre Vorcaro e Mourão, o banqueiro teria mencionado a intenção de agredir uma funcionária que o estaria ameaçando.
Outro episódio destacado na decisão envolve um jornalista que publicou reportagens críticas ao grupo financeiro. Segundo a investigação, Vorcaro teria sugerido simular um assalto para agredir o profissional, com o objetivo de intimidá-lo.
Na manhã desta quarta-feira, o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou publicamente ser o alvo das conversas mencionadas na decisão judicial.
Para o ministro Mendonça, o conteúdo das mensagens indica fortes indícios de tentativa de silenciar a atuação da imprensa.
A estrutura investigada também teria contado com a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, alvo de mandado de prisão preventiva. Segundo a Polícia Federal, ele teria atuado na obtenção de informações sigilosas e na vigilância de pessoas escolhidas pelo grupo, utilizando experiência e contatos adquiridos durante a carreira policial.
As investigações apontam que o caso envolvendo o Banco Master pode representar uma das maiores fraudes financeiras já registradas no Brasil.
Estimativas do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) indicam que os ressarcimentos a clientes prejudicados podem ultrapassar R$ 50 bilhões.
O processo passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal após surgirem indícios de possível envolvimento de autoridades com foro privilegiado, embora até o momento não haja pessoas com esse tipo de prerrogativa formalmente investigadas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a se manifestar contra os pedidos apresentados pela Polícia Federal, argumentando que não havia indícios suficientes de urgência para as medidas cautelares.
Segundo a PGR, o prazo de 72 horas concedido para análise das solicitações teria sido insuficiente para avaliação completa do caso.
Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou lamentar a posição do órgão e ressaltou que havia risco concreto de novas ações ilícitas, inclusive contra cidadãos comuns, jornalistas e autoridades públicas.
O magistrado também citou indícios de que o grupo investigado teria conseguido acesso a sistemas sigilosos do Ministério Público e da própria Polícia Federal, o que poderia comprometer o andamento das investigações.
“A liberdade dos investigados compromete diretamente a efetividade da investigação e a confiança social na Justiça penal”, escreveu Mendonça, ao justificar a necessidade da prisão preventiva.
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