Política / Eleições 2026
Ciro Nogueira descarta Tarcísio na disputa presidencial e PP passa a apostar em Flávio Bolsonaro
Presidente do Progressistas avalia candidatura de governador paulista como inviável e indica alinhamento irreversível com o nome indicado por Jair Bolsonaro
08/01/2026
13:15
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
O senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, afirmou que considera descartada a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disputar a Presidência da República contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o partido passou a concentrar suas apostas no senador Flávio Bolsonaro (PL), indicado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu vejo como já descartada a candidatura do Tarcísio à Presidência”, afirmou Ciro Nogueira à reportagem. Para o dirigente, a postulação de Flávio Bolsonaro tornou-se irreversível dentro do campo bolsonarista.
Na semana passada, o Progressistas divulgou uma nota pública com críticas à gestão de Tarcísio, informando que avaliava, inclusive, a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo de São Paulo nas eleições deste ano. O documento foi elaborado pelo presidente do diretório estadual do PP, o deputado federal Maurício Neves, com aval direto de Ciro Nogueira.
Na carta, o partido citou “crescente descontentamento de prefeitos” da sigla e “queixas recorrentes sobre a falta de atenção a parlamentares” como justificativas para um eventual rompimento com o governador.
Outro ponto de atrito destacado foi a suposta falta de apoio de Tarcísio ao então secretário da Segurança Pública, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que deixou o cargo em dezembro para preparar sua candidatura ao Senado.
“O partido avalia como insuficiente o apoio público e concreto do governador ao projeto majoritário do PP”, diz o texto.
Apesar das críticas, Ciro Nogueira afirmou que prefere manter Tarcísio na disputa estadual, visando fortalecer a candidatura de Derrite ao Senado.
“Existe um descontentamento. Mas acho que ele é o melhor caminho para viabilizar a campanha do Derrite”, disse o ex-ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro.
Ciro reconheceu ainda que, para concorrer à Presidência, Tarcísio precisaria de um aval explícito de Jair Bolsonaro, o que considera improvável. Além disso, avaliou que o governador tem reforçado movimentos que o colocam como candidato à reeleição em São Paulo, e não ao Planalto.
Tarcísio encontra-se em férias nos Estados Unidos e retorna ao trabalho na próxima semana. Ele já estava fora do país quando o PP divulgou a carta crítica. O governador declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro em 8 de dezembro, três dias após o senador anunciar que havia recebido a indicação do pai.
Embora aliados do governador tenham considerado o apoio pouco entusiasmado, o entorno de Tarcísio passou a avaliar que ele não se movimentou para dissuadir Flávio de manter a candidatura presidencial. Setores do PL paulista ainda nutrem a expectativa de que o senador desista, abrindo espaço para o governador.
A nota do PP gerou ruído interno, mas foi minimizada por auxiliares de Tarcísio no Palácio dos Bandeirantes. O argumento é que o PP integra uma federação com o União Brasil e que, em São Paulo, o comando político está com o União.
O presidente do diretório paulista do União Brasil, Milton Leite, afirmou que o eventual desembarque do PP da aliança não foi debatido. “A federação seguirá ao lado de Tarcísio”, declarou.
Em nota, Guilherme Derrite reiterou apoio ao governador, apesar das críticas feitas por seu próprio partido.
“No plano pessoal e político, o deputado reafirma sua posição de lealdade ao projeto do atual governador e deixa claro que não atuaria em sentido contrário nem apoiaria outra candidatura à reeleição enquanto perdurar essa relação”, afirmou.
Nesta terça-feira (6), em entrevista ao influenciador Paulo Figueiredo, Flávio Bolsonaro afirmou que sua relação com Ciro Nogueira é “muito boa” e disse acreditar que o PP acabará aderindo ao seu palanque.
“A gente não arrisca disputar uma eleição para o Governo de São Paulo sem o Tarcísio. Ele é um palanque importante e não perde essa eleição lá de jeito nenhum”, afirmou o senador, reforçando a estratégia de manter o governador paulista como candidato à reeleição.
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