Política / Justiça
OAB-MS aciona a Justiça para suspender cobrança do IPTU 2026 em Campo Grande
Entidade pede volta do desconto de 20%, limitação do reajuste à correção monetária e bloqueio de cobranças enquanto durar a ação
08/01/2026
22:00
DA REDAÇÃO
Bitto Pereira, presidente da OAB-MS
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS) ingressou com mandado de segurança para tentar suspender a cobrança do IPTU 2026 em Campo Grande. A ação foi ajuizada contra a prefeita Adriane Lopes (PP) e contra o titular da Secretaria Municipal de Fazenda, sendo distribuída às Varas de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da capital.
Entre os principais pedidos, a OAB-MS requer a manutenção do desconto de 20% para pagamento à vista e que a prefeitura seja obrigada a limitar o reajuste do IPTU apenas à correção monetária de 5,32%, índice referente ao ano anterior. O pedido é assinado pelo presidente da entidade, Bitto Pereira.
A entidade também solicitou liminar para que o município suspenda o pagamento parcelado, cujo vencimento da primeira parcela está marcado para 10 de janeiro, além de requerer que, caso o desconto de 20% não seja concedido, a cobrança à vista do IPTU 2026 seja suspensa.
Outro ponto do pedido é a autorização para que os contribuintes possam pagar o chamado valor incontroverso, ou seja, o imposto calculado apenas pela correção monetária de 5,32%, sem os efeitos do novo enquadramento.
“Suspendendo, desta forma, apenas os efeitos do reenquadramento/alíquota majorada, determinando emissão de guia sem o incremento por reenquadramento até decisão final”, argumenta Bitto Pereira no processo.
Fundamentos jurídicos da ação
O mandado de segurança foi elaborado pela Comissão de Assuntos Tributários da OAB-MS, composta pelos advogados Marcelo Vieira, Janaína Galeano e Hugo Conforte.
Na ação, a OAB sustenta a existência de “patente ilegalidade e inconstitucionalidade” no lançamento e na cobrança do IPTU de 2026 em Campo Grande, apontando dois principais problemas:
aumento do imposto por reenquadramento e supressão de benefícios fiscais;
descumprimento do princípio da anterioridade nonagesimal, que exige prazo mínimo de 90 dias para que mudanças tributárias passem a valer.
Segundo a entidade, as alterações feitas por meio de leis e decretos municipais não poderiam produzir efeitos imediatos sobre o IPTU de 2026.
A OAB-MS também alega que houve descumprimento de formalidades previstas no Código Tributário Municipal, como a falta de publicação dos novos critérios no Diário Oficial e a ausência de debate prévio no Poder Legislativo.
No pedido, a entidade sustenta a existência de fumus boni iuris (fumaça do bom direito) e periculum in mora (perigo da demora), solicitando a suspensão imediata da cobrança do imposto, sem a necessidade de ouvir previamente a prefeitura.
A OAB ainda pede que o município fique impedido de promover negativação ou protesto de contribuintes enquanto durar a disputa judicial.
Novo perfil socioeconômico elevou carnês
O principal fator que provocou os aumentos do IPTU foi a adoção do Perfil Socioeconômico Imobiliário (PSEI), aprovado pela Câmara Municipal no segundo semestre de 2025. O novo modelo alterou os critérios de avaliação dos imóveis, o que, na prática, reajustou a base de cálculo do imposto e elevou o valor de alguns carnês em até 400%.
Além do IPTU, o novo PSEI também impactou a taxa de coleta de lixo, que subiu de forma significativa em determinados bairros. Segundo representantes do município, o aumento busca garantir o pagamento de serviços prestados pela Solurb, incluindo valores atrasados, que somam até R$ 160 milhões.
Durante reunião na Câmara Municipal, o diretor-executivo de Receita da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz), Ricardo Vieira Dias, afirmou que o perfil socioeconômico foi atualizado conforme a realidade dos bairros.
“O perfil socioeconômico evoluiu em alguns bairros, diminuiu em outros e se manteve em outros. É só para aumento da taxa de lixo”, declarou.
Segundo ele, o valor médio anual da taxa de lixo para residências de alto padrão chega a R$ 911,00, o que, na média, representa cerca de R$ 9 por coleta. Em bairros mais humildes, o custo médio, descontados os isentos, fica em torno de R$ 0,40 por coleta.
Agora, caberá ao Judiciário analisar os pedidos da OAB-MS e decidir se a cobrança do IPTU 2026 em Campo Grande será suspensa ou ajustada até o julgamento final da ação.
Os comentários abaixo são opiniões de leitores e não representam a opinião deste veículo.
Leia Também
Leia Mais
Assembleia convoca inscritos e libera consulta aos locais de prova do concurso público em Campo Grande
Leia Mais
Lula participa em Campo Grande de sessão especial da COP15 sobre espécies migratórias da ONU
Leia Mais
Campo Grande recebe artista português Santiago Belacqua em agenda que reúne arte sacra, meio ambiente e intercâmbio cultural
Leia Mais
Nova unidade da Granja São José amplia produção, gera empregos e fortalece a suinocultura em Dourados
Municípios