Política Internacional
Maduro se declara inocente em audiência em Nova York e diz ser “presidente sequestrado” da Venezuela
Juiz marca próxima audiência para 17 de março; ex-presidente responde a acusações de narcoterrorismo, tráfico de drogas e porte ilegal de armas
05/01/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) durante sua primeira audiência perante a Justiça dos Estados Unidos, em um tribunal federal de Nova York. Na sessão, Maduro afirmou ser o “presidente sequestrado da Venezuela”.
A audiência durou pouco mais de 30 minutos e foi conduzida pelo juiz Alvin Hellerstein, que determinou que o ex-presidente volte a comparecer à corte no dia 17 de março, data marcada para a próxima etapa do processo.
Durante a audiência, Maduro entrou na sala vestindo camisa azul-marinho sobre o uniforme laranja do sistema prisional, utilizando fones de ouvido para tradução simultânea. Ao se identificar, falou em espanhol que ainda é o presidente da Venezuela, que foi capturado em seu país e levado à força aos Estados Unidos.
“Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente”, declarou Maduro.
Sempre que o ex-presidente tentou se aprofundar nos relatos sobre a captura ou reiterar que continua sendo o chefe de Estado venezuelano, o juiz o interrompeu.
“Haverá tempo e lugar para abordar tudo isso”, afirmou Hellerstein.
A esposa de Maduro, Cilia Flores, sentada ao lado do ex-presidente, também se declarou “completamente inocente” diante da corte.
Questionado pelo juiz, o promotor informou que Maduro foi formalmente detido às 11h30 do dia 3 de janeiro, no horário local de Nova York, sem detalhar a operação militar realizada em Caracas que resultou na captura do ex-presidente.
Maduro responde a acusações de:
Conspiração para narcoterrorismo
Conspiração para importação de cocaína
Porte ilegal de armas e dispositivos destrutivos
O prazo para conclusão do julgamento ainda é incerto, mas a imprensa norte-americana estima que o processo possa se estender por mais de um ano, devido à complexidade e ao caráter inédito do caso.
Durante a audiência, manifestantes se reuniram em frente ao tribunal federal em Manhattan. Dois grupos distintos marcaram presença: um em protesto contra a intervenção americana na Venezuela e outro comemorando a prisão de Maduro. As manifestações ocorreram de forma separada, com isolamento por grades de segurança.
Segundo os promotores, Nicolás Maduro seria o líder de um cartel formado por autoridades políticas e militares venezuelanas, que, ao longo de décadas, teria conspirado com organizações de tráfico de drogas e grupos classificados pelos EUA como terroristas para enviar milhares de toneladas de cocaína ao exterior.
Maduro foi indiciado pela primeira vez em 2020, dentro de uma ampla investigação envolvendo autoridades venezuelanas atuais e antigas, além de guerrilheiros colombianos.
Na nova acusação, revelada no sábado, o Departamento de Justiça dos EUA sustenta que o ex-presidente supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que teria atuado em parceria com organizações como:
o Cartel de Sinaloa
o Los Zetas
as Farc
e a gangue venezuelana Tren de Aragua
O caso segue sob forte atenção internacional e pode ter impactos duradouros nas relações diplomáticas entre Estados Unidos, Venezuela e países da América Latina.
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