Campo Grande (MS), Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026

Política Internacional

Trump descarta eleições na Venezuela em 30 dias e afirma que país precisa ser “consertado” antes do pleito

Presidente dos EUA diz que estará no controle do país, sinaliza cooperação com Delcy Rodríguez e defende abertura do setor petrolífero

05/01/2026

19:00

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O presidente dos Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (5) que não haverá eleições na Venezuela nos próximos 30 dias, prazo citado em razão das regras previstas na Constituição venezuelana para casos de ausência presidencial. Segundo Trump, antes de qualquer processo eleitoral, o país precisaria ser “consertado”.

Precisamos consertar o país primeiro. Não dá para ter uma eleição. As pessoas nem conseguiriam votar. Precisamos revitalizar o país”, declarou o presidente em entrevista à NBC News.

Regras constitucionais e disputa de narrativas

O prazo de 30 dias foi mencionado porque a Constituição da Venezuela estabelece que, em casos de “ausência absoluta” do presidente — como morte ou impeachment —, novas eleições devem ser convocadas em até um mês. Já em situações de “ausência temporária”, o vice-presidente pode assumir por 90 dias, prorrogáveis por mais 90, antes da realização de um novo pleito.

Nesta segunda-feira, a vice-presidente Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina por um período inicial de 90 dias, em cerimônia conduzida pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. O movimento indica que o regime considera a captura de Nicolás Maduro como ausência temporária.

Em discurso, Delcy declarou lealdade a Maduro, disse assumir “com pesar” após o que chamou de “agressão militar ilegítima” e não sinalizou disposição para ceder às exigências de Washington.

Relação com Delcy e sanções

Apesar do discurso público da líder interina, Trump afirmou que Delcy Rodríguez vem cooperando com os Estados Unidos e sugeriu que sanções americanas contra ela podem ser suspensas em breve. Segundo o presidente, o secretário de Estado Marco Rubio mantém contato direto com a presidente interina.

“O relacionamento tem sido muito forte. Ele fala com ela em espanhol fluente”, afirmou Trump, citando ainda o secretário de Defesa Pete Hegseth e o vice-presidente J. D. Vance como integrantes do núcleo que atuará na condução do país.

Questionado sobre a existência de acordo prévio com autoridades venezuelanas ou militares para a captura de Maduro, Trump negou. “Muitas pessoas queriam fazer esse acordo, mas decidimos fazer do jeito que foi”, disse.

Operação militar e contestação internacional

A operação que resultou na captura de Maduro ocorreu no sábado (3) e, segundo Trump, não configura guerra contra a Venezuela, mas sim uma ofensiva contra o narcotráfico. O presidente repetiu a retórica adotada desde a campanha eleitoral, associando o país ao envio de criminosos e drogas para os EUA.

De acordo com o relato do governo americano, cerca de 200 soldados dos EUA participaram da ação em Caracas. A resistência foi considerada mínima. Nenhum militar americano morreu, enquanto ao menos 40 pessoas, entre militares, civis venezuelanos e guarda-costas cubanos de Maduro, teriam sido mortas. A facilidade da operação levantou suspeitas de acordo interno no regime, hipótese negada por Trump.

Oposição e disputas internas

Trump também desmentiu reportagem do The Washington Post segundo a qual teria deixado de apoiar María Corina Machado por ela ter recebido o Prêmio Nobel da Paz. “Ela não deveria ter vencido, mas isso não teve nada a ver com a minha decisão”, afirmou.

No domingo (4), o ex-diplomata Edmundo González, que afirma ter vencido as eleições presidenciais de 2024, declarou-se novo presidente da Venezuela e pediu que as Forças Armadas reconheçam sua autoridade.

Petróleo e interesses econômicos

Trump voltou a defender a abertura da indústria petrolífera venezuelana — nacionalizada desde os anos 1970 — a empresas americanas. Segundo ele, o governo dos EUA pode subsidiar o retorno das petroleiras ao país, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.

O presidente afirmou que a modernização do setor poderia ser concluída em 18 meses, embora especialistas avaliem que o processo levaria décadas. “Vai custar caro. Uma quantidade gigantesca de dinheiro terá que ser gasta, e as petroleiras podem ser reembolsadas”, disse.

Analistas do setor energético expressam dúvidas sobre o interesse das grandes empresas, diante do histórico de nacionalizações e do alto volume de investimentos necessários em um cenário de preços mais baixos da commodity.

Segundo a imprensa americana, executivos da ExxonMobil, ConocoPhillips e Chevron devem se reunir na quinta-feira (8) com o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, para discutir os próximos passos.


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