Política Nacional
Sucessão de Fernando Haddad na Fazenda abre disputa interna no governo e no PT
Resistência a nome indicado pelo ministro expõe divergências e pressiona Lula por escolha mais alinhada ao partido
17/12/2025
07:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A decisão do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, de deixar o cargo até abril de 2026 abriu uma disputa interna no governo Lula e no PT em torno da sucessão no comando da equipe econômica. A movimentação ocorre em meio ao cenário eleitoral de 2026 e às discussões estratégicas sobre o perfil do próximo titular da pasta.
Em entrevista ao jornal O Globo, Haddad afirmou já ter comunicado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que pretende deixar o ministério para atuar diretamente na campanha à reeleição. Dentro do PT, no entanto, há também a expectativa de que o ministro seja candidato em São Paulo, o que adiciona pressão ao debate sucessório.
Para substituí-lo, Haddad indicou o secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, seu número dois na Fazenda. Durigan conhece Haddad desde a gestão do petista na Prefeitura de São Paulo e é visto por aliados do ministro como um nome de continuidade técnica.
A indicação, porém, enfrenta resistência no PT e entre ministros do Palácio do Planalto. A principal crítica é a de que Durigan não teria vínculos orgânicos com o partido.
“Ele é um cheque em branco”, afirmou, sob reserva, um influente dirigente petista com acesso direto a Lula e Haddad.
Outro ponto de questionamento citado por lideranças do partido é a relação de Durigan com as big techs. Antes de assumir a secretaria-executiva da Fazenda, ele atuou como head de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, o que gera desconfiança em setores do PT.
A avaliação predominante no Planalto e entre parte da cúpula petista é de que Lula deveria escolher um sucessor mais próximo do partido, sobretudo por se tratar de ano eleitoral e de uma pasta estratégica para o discurso econômico do governo.
Com a resistência ao nome de Dario Durigan, petistas e ministros passaram a defender outros nomes. Um dos mais citados é o de Bruno Moretti, atual presidente do Conselho de Administração da Petrobras.
Moretti é servidor de carreira do Ministério do Planejamento e acumula a função na estatal com o cargo de secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, comandada pelo ministro Rui Costa (PT) — o que reforça seu vínculo político com o partido.
Aliados de Haddad sustentam que Durigan seria o nome mais adequado por dominar a estrutura da Fazenda e garantir estabilidade na condução da política econômica.
Durigan ingressou no ministério em meados de 2023, após a saída do então secretário-executivo Gabriel Galípolo, indicado por Lula para a diretoria do Banco Central. Ele também já atuou em governos petistas, integrando a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência durante o governo Dilma Rousseff.
A sucessão na Fazenda expõe tensões entre técnica e política, continuidade e alinhamento partidário, e coloca Lula no centro de uma decisão estratégica que pode influenciar tanto a governabilidade quanto a campanha de 2026.
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