Política Internacional
EUA prometem resposta à condenação de Jair Bolsonaro pelo STF
Secretário de Estado Marco Rubio acusa ministros de “perseguição política” e amplia tensão diplomática entre Washington e Brasília
15/09/2025
13:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o governo norte-americano dará uma resposta oficial ao Brasil “na próxima semana ou algo assim” sobre a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e 3 meses de prisão pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em entrevista ao canal Fox News, Rubio disse que o Estado de Direito estaria “se desintegrando” no Brasil e acusou ministros do Supremo de atuarem como “juízes ativistas”, em especial o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes.
“Temos esses juízes ativistas – um em particular – que não só perseguiu Bolsonaro, mas também tentou realizar reivindicações extraterritoriais contra cidadãos americanos. Portanto, haverá uma resposta dos EUA a isso”, declarou Rubio.
Bolsonaro foi condenado pelos crimes de organização criminosa e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, em julgamento encerrado no dia 11 de setembro.
Rubio já havia sido responsável pela suspensão do visto de Alexandre de Moraes e de outras autoridades brasileiras, classificando o ministro como “violador de direitos humanos”.
O Itamaraty reagiu duramente às declarações, afirmando em nota que o Brasil defenderá sua soberania “de agressões e tentativas de interferência, venham de onde vierem”.
“Ameaças como a feita hoje pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em manifestação que ataca autoridade brasileira e ignora os fatos e as contundentes provas dos autos, não intimidarão a nossa democracia”, disse o Ministério das Relações Exteriores.
A tensão ganhou novos capítulos com manifestações de outras autoridades dos EUA:
Christopher Landau, vice-secretário do Departamento de Estado, disse que a decisão conduz as relações entre Brasil e EUA “ao ponto mais sombrio em dois séculos”.
Darren Beattie, subsecretário de Diplomacia Pública, afirmou que a condenação representa “censura e perseguição de Moraes” e que Washington “leva o caso com a maior seriedade”.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), indiciado pela PF por coação no processo do julgamento do pai, disse à agência Reuters que espera a ampliação das sanções dos EUA contra autoridades brasileiras.
Segundo ele, além de Alexandre de Moraes, ministros como Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin também poderiam ser alvo de medidas baseadas na Lei Magnitsky, já aplicada anteriormente contra Moraes pelo governo Trump.
O Brasil já enfrenta tarifa de 50% sobre exportações de diversos produtos para os EUA, em vigor desde julho como resposta política ao cenário interno.
No entanto, no início de setembro houve um alívio parcial, com a exclusão da celulose e do ferro-níquel da lista de produtos tarifados.
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