Política / Justiça
Julgamento do golpe de 2022 avança no STF: réus são ouvidos e processo segue para alegações finais
Após interrogatórios de Bolsonaro e aliados, ação penal entra na fase decisiva que antecede o julgamento na Primeira Turma do Supremo
10/06/2025
20:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta terça-feira (10) o interrogatório dos oito réus apontados pela Procuradoria-Geral da República como integrantes do “núcleo crucial” da tentativa de golpe de Estado em 2022. Entre os ouvidos estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, seus ex-ministros e militares de alta patente.
Com o fim dessa etapa, a ação penal entra na reta final da fase de instrução processual. O processo pode, em breve, ser julgado pela Primeira Turma do STF, que definirá se os acusados serão condenados ou absolvidos.
“Nunca se falou em golpe, golpe é uma coisa abominável”, afirmou Jair Bolsonaro em sua defesa durante o interrogatório.
Foram ouvidos entre segunda (9) e terça-feira (10) os seguintes acusados:
Jair Bolsonaro, ex-presidente da República
Mauro Cid, ex-ajudante de ordens
Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin
Almir Garnier, almirante da reserva
Anderson Torres, ex-ministro da Justiça
Augusto Heleno, general da reserva e ex-ministro
Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa
Walter Braga Netto, general da reserva e ex-ministro da Casa Civil
Com a conclusão dos interrogatórios, a tramitação segue da seguinte forma:
Pedidos de diligências
Acusação e defesas terão prazo (a ser definido por Alexandre de Moraes) para solicitar novas diligências, caso entendam ser necessário complementar a investigação.
Alegações finais
Após análise dos pedidos de diligência, será aberto prazo de 15 dias para que as partes apresentem suas alegações finais por escrito — primeiro o delator, depois os demais réus e a acusação. Nessa fase, cada parte resume os argumentos que sustentam a condenação ou a absolvição.
Julgamento na Primeira Turma do STF
Finalizada a fase de alegações finais, o processo estará apto para julgamento. A Primeira Turma, composta por cinco ministros, decidirá o destino dos acusados.
Sentença e eventuais recursos
Se houver condenação, os ministros fixarão as penas individualmente. Em caso de absolvição, o processo será arquivado. Ambas as decisões podem ser alvo de recursos dentro do próprio Supremo Tribunal Federal.
A ação penal investiga uma suposta tentativa de ruptura institucional articulada nos bastidores do governo Bolsonaro, antes e depois das eleições de 2022. Segundo a PGR, os réus atuaram de forma coordenada para desacreditar o sistema eleitoral, minar a democracia e fomentar um ambiente propício à intervenção militar.
O relator do caso é o ministro Alexandre de Moraes, responsável por conduzir todas as fases da investigação até o julgamento final.

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