Campo Grande (MS), Sábado, 05 de Abril de 2025

Esporte / Polícia

‘Cangaço Digital’: jogador da Seleção de Futebol para Amputados é condenado a 11 anos por golpe bancário

Patrick Pisoni participou de esquema que desviou R$ 1,5 milhão de agência em Campo Grande; entenda o modelo de crime digital

04/04/2025

20:15

GE

DA REDAÇÃO

Patrick Pisoni é convocado para a Seleção Brasileira de Futebol de Amputados. — Foto: Arquivo pessoal

A Justiça de Mato Grosso do Sul condenou a 11 anos de prisão Patrick Pisoni, atleta da Seleção Brasileira de Futebol para Amputados, por envolvimento em um esquema de furto digital bancário, conhecido como “cangaço digital”. O golpe resultou no desvio de R$ 1,5 milhão de uma agência bancária em Campo Grande.

A sentença foi publicada no Diário da Justiça do Estado em 1º de abril, e integra os desdobramentos da Operação Bypass, que investigou a atuação de um grupo criminoso especializado em crimes cibernéticos contra instituições financeiras.

O que é o "cangaço digital"?

A expressão “cangaço digital” passou a ser usada por autoridades para descrever uma nova modalidade de crime bancário: os criminosos não realizam o roubo fisicamente, mas utilizam dispositivos eletrônicos e acessos remotos para invadir sistemas e desviar recursos de clientes e instituições.

No caso investigado, os criminosos instalaram um software fraudulento em um dos computadores da agência, permitindo que operações bancárias fossem controladas remotamente, diretamente do estado de São Paulo. Os procedimentos eram liberados com a impressão digital do gerente, que fazia parte do esquema.

A participação de Patrick Pisoni

Funcionário da agência bancária à época, Patrick Pisoni foi apontado como um dos seis integrantes da quadrilha. O grupo realizou 129 transferências bancárias fraudulentas para esvaziar as contas.

O advogado de defesa de Pisoni, José Roberto Rosa, afirmou que irá recorrer da decisão.

“Recebi com muita surpresa a quantidade de pena que foi aplicada ao Patrick. Vamos apresentar recurso ao Tribunal para tentar reverter a situação”, declarou.

Investigações apontam ramificações nacionais

A Polícia Civil apura se a organização também cometeu fraudes semelhantes em outros estados, acumulando lucros milionários. Além disso, o sequestro de um gerente de banco em Campo Grande pode estar relacionado ao mesmo grupo.

Segundo o delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, há indícios de que o gerente teria inicialmente colaborado com os criminosos, mas desistido posteriormente. Diante disso, os suspeitos teriam sequestrado a namorada dele para forçar a entrega de cartões de acesso.

“Há indícios de que o gerente e os sequestradores planejavam um roubo anterior. Quando ele desistiu, eles sequestraram sua companheira”, disse o delegado.

R$ 10,1 bilhões em fraudes digitais

De acordo com a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), os golpes digitais no sistema bancário movimentaram R$ 10,1 bilhões em 2024, um crescimento de 17% em relação ao ano anterior. A cada 16 segundos ocorre uma fraude bancária no Brasil, segundo dados da Polícia Federal.

Em resposta à crescente ameaça, o Ministério da Justiça e a Febraban firmaram, em 2023, a “Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias”, que envolve órgãos públicos e instituições privadas em uma frente conjunta de combate ao cangaço digital.


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