Política / Eleições 2026
Flávio Bolsonaro tenta encerrar crise com Michelle e defende vice mulher em 2026
Senador afirmou que divergência familiar é “página virada” após vídeos em que Michelle Bolsonaro relatou ter sido desrespeitada
28/06/2026
07:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, tentou reduzir o desgaste provocado pela crise pública com Michelle Bolsonaro e adotou um tom de conciliação durante agenda política neste sábado, 27 de junho, em Goiás. Pré-candidato à Presidência da República, ele falou em união, pediu que diferenças internas sejam deixadas de lado e sinalizou interesse em ter uma mulher como vice em sua chapa.
A declaração ocorre dias depois de Michelle Bolsonaro publicar um vídeo de quase 30 minutos, na quarta-feira, 24 de junho, no qual afirmou ter sido desrespeitada e maltratada por Flávio durante uma ligação telefônica. O episódio expôs uma disputa interna no grupo bolsonarista e provocou mal-estar na pré-campanha do senador.
Durante o evento de lançamento de candidaturas do PL em Goiás, Flávio Bolsonaro defendeu unidade entre aliados. Segundo ele, as diferenças de caminho não devem afastar pessoas que buscam o mesmo objetivo político.
“É muito importante todos nós, sem exceção, estarmos cada vez mais unidos, deixarmos nossas pequenas diferenças de lado, porque muitas vezes os caminhos que nós escolhemos são diferentes, mas para chegar no mesmo destino, para alcançar o mesmo objetivo”, afirmou o senador.
Na noite anterior, também em Goiás, Flávio já havia dito a jornalistas que considerava o episódio encerrado. Após participar de uma caminhada religiosa, ele afirmou que a crise era “página virada” e disse ter conversado com o pai, Jair Bolsonaro, sobre o assunto.
“Para ficar bem claro, da minha parte aqui, é bola pra frente, é página virada”, declarou. O senador também fez referência à camisa branca que usava no momento. “Vim aqui com a blusa branca, da paz, pra olhar pra frente”, disse.
No ato político deste sábado, Flávio Bolsonaro também reforçou o desejo de ter uma mulher como candidata a vice-presidente em eventual chapa presidencial. A fala foi feita ao comentar a participação de Ana Paula Rezende, vice na chapa de Wilder Morais, do PL, cuja pré-candidatura ao governo de Goiás foi lançada no evento.
“O Wilder é uma pessoa privilegiada de ter ao seu lado uma mulher tão qualificada como a Ana Paula. Eu peço a Deus, Ana, que eu também tenha o privilégio de ter uma vice tão qualificada quanto você”, afirmou Flávio.
A crise começou após Michelle Bolsonaro relatar, em vídeo, que teria sido humilhada pelo senador durante uma ligação. Segundo ela, Flávio teria dito que seria melhor que a ex-primeira-dama ficasse fora das decisões do partido.
“Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone. E eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política”, afirmou Michelle.
O atrito entre madrasta e enteado teria sido motivado por críticas públicas de Michelle à decisão do diretório cearense do PL de apoiar a candidatura de Ciro Gomes, do PSDB, ao governo do Ceará.
Outro ponto de tensão, segundo o relato da ex-primeira-dama, seria a suspeita de que ataques feitos por comunicadores próximos aos irmãos Bolsonaro, como Paulo Figueiredo, Kim Paim, Allan dos Santos e Didi Redpill, teriam influência dos enteados.
A primeira reação de Flávio Bolsonaro ocorreu na própria quarta-feira, em transmissão ao vivo antes do jogo do Brasil contra a Escócia, pela Copa do Mundo. Na ocasião, ele tentou diminuir o confronto e disse que, por ser dia de jogo da Seleção, “nada nem ninguém” o aborreceria. Também afirmou se sentir mais confiante e mais preparado para a pré-candidatura presidencial.
Mais tarde, por volta das 23h, o senador publicou uma nota mais longa. No texto, negou ter humilhado ou desrespeitado Michelle Bolsonaro, mas pediu desculpas caso isso tivesse ocorrido.
“Se o fiz em algum momento, mais uma vez, peço desculpas”, escreveu Flávio.
Na nota, o senador citou a família, os 24 anos de vida pública e o equilíbrio como marcas de sua trajetória. Também afirmou ter respeito e reconhecimento por Michelle.
Flávio ainda apresentou outra versão para a relação com a ex-primeira-dama naquele dia. Segundo ele, teria ligado para convidá-la pessoalmente a uma reunião com lideranças femininas conservadoras, mas não teria recebido retorno. Horas depois, Michelle publicou os vídeos.
Na quinta-feira, 25 de junho, o senador gravou novo vídeo lendo o posicionamento divulgado na véspera, mas retirou o trecho em que dizia ter ligado para Michelle na manhã anterior.
Ainda na quinta-feira, Michelle Bolsonaro voltou a se manifestar nas redes sociais. Em novo texto, afirmou que “não há briga nem competição” e disse ter apenas esclarecido uma situação que, segundo ela, estava sendo distorcida.
“Não tenho raiva de ninguém. Apenas esclareci uma situação que estava sendo deturpada. Não há briga nem competição”, escreveu Michelle, pedindo que trechos de suas falas não fossem retirados de contexto para gerar confusão.
A tentativa de Flávio Bolsonaro de encerrar o episódio busca reduzir os efeitos políticos da crise em um momento de articulação eleitoral. A pré-campanha do senador depende da unidade do campo bolsonarista, especialmente diante da disputa por espaço entre lideranças familiares, dirigentes partidários e grupos ligados ao PL nos estados.
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