Polícia / Justiça
Defesa de Bernal pede liberdade e sustenta que disparo ocorreu em reação a suposta ameaça
Ex-prefeito de Campo Grande, preso desde 24 de março pela morte do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, tenta revogar a prisão preventiva ou obter prisão domiciliar; MPMS se manifestou contra o pedido.
17/04/2026
10:00
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, de 60 anos, apresentou pedido de liberdade provisória à Justiça e argumentou que o disparo que matou o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, teria ocorrido em um “reflexo de defesa natural”. Preso há 24 dias por homicídio, Bernal está custodiado no Presídio Militar de Campo Grande, em espaço destinado a advogados, e busca a revogação da prisão preventiva ou, de forma alternativa, a concessão de prisão domiciliar.
Segundo a petição apresentada pelos advogados Wilton Acosta, Walquiria Menezes Moraes e Oswaldo Meza, o ex-prefeito se apresentou espontaneamente à Primeira Delegacia de Polícia Civil após o episódio registrado em 24 de março de 2026. O caso aconteceu em um imóvel localizado na Rua Antônio Maria Coelho, em área nobre da Capital, que anteriormente pertencia a Bernal, mas havia sido vendido em leilão bancário ao servidor morto.
De acordo com a versão da defesa, Bernal foi acionado pelo sistema de monitoramento ao saber da entrada de pessoas no casarão. Ao chegar ao local, ainda conforme o pedido, ele teria sido surpreendido por um dos homens que estava no imóvel, descrito como alguém que vinha em sua direção com um objeto nas mãos. Os advogados sustentam que, sem conseguir identificar de imediato o que era esse objeto e sentindo-se ameaçado, o ex-prefeito reagiu atirando.
A peça apresentada à Justiça também tenta reforçar a tese de legítima reação ao apontar que há um “ponto cego” no circuito de segurança do imóvel. Segundo a defesa, as imagens disponíveis não mostrariam exatamente o momento em que Roberto Carlos Mazzini aparece diante de Bernal no instante dos disparos. Ainda assim, a própria reportagem que trata do pedido registra que o vídeo mostra o ex-prefeito chegando armado ao local e efetuando os tiros.
Outro eixo do pedido é a situação pessoal do réu. A defesa afirma que Bernal tem residência fixa, é advogado e radialista há mais de 40 anos, além de já ter exercido o cargo de prefeito da Capital. Os advogados alegam ainda que ele não representa risco de fuga e não ofereceria ameaça à ordem pública nem à aplicação da lei penal.
No documento, os defensores também destacam o quadro de saúde do ex-prefeito. Segundo a petição, ele é idoso, tem stent no coração, é diabético e faz uso diário de 11 medicamentos, argumentos usados para tentar justificar a substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar. Além disso, a defesa pediu que a tramitação do requerimento ocorra em sigilo.
Para contextualizar a disputa em torno do imóvel, os advogados informaram que Bernal já havia registrado três boletins de ocorrência em 2025 relacionados ao mesmo endereço. Os registros mencionados tratam de arrombamento, violação de domicílio e perturbação do sossego. A defesa afirma ainda que existe uma ação judicial, em curso sob sigilo, contestando a consolidação do imóvel em favor da Caixa Econômica Federal e os leilões eletrônicos posteriores.
Do outro lado, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul se manifestou contra a soltura. Conforme a reportagem publicada nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, o entendimento do MPMS é de que o relaxamento da prisão em flagrante, a revogação da preventiva ou a substituição por domiciliar “não se afiguram medidas adequadas” para o caso.
O pedido de liberdade surge depois de a Justiça aceitar a denúncia contra Alcides Bernal, que passou à condição de réu no processo pela morte de Roberto Carlos Mazzini. Com isso, o caso entra em uma nova fase judicial, em que a defesa tenta afastar a custódia enquanto o mérito da acusação continua sendo analisado.
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