Trabalho / Economia
Alckmin diz que fim da escala 6x1 acompanha mudança global no trabalho e defende revisão atuarial da Previdência
Vice-presidente falou a sindicalistas em São Paulo e afirmou que avanço tecnológico abre espaço para redução da jornada, com ajuste fiscal voltado ao combate de distorções no sistema
14/04/2026
12:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu o fim da escala 6x1 e afirmou que a redução da jornada de trabalho acompanha uma tendência mundial impulsionada pelos avanços tecnológicos. A declaração foi feita durante evento com lideranças sindicais na sede da UGT (União Geral dos Trabalhadores), em São Paulo, na segunda-feira, 13 de abril.
Na avaliação de Alckmin, a evolução tecnológica permite que setores da economia produzam mais com menos mão de obra, o que abre caminho para uma reorganização do tempo de trabalho. Ao abordar o tema, ele lembrou que a última grande redução da jornada no Brasil ocorreu com a Constituição de 1988, quando o limite semanal caiu de 48 para 44 horas.
O vice-presidente ponderou, porém, que a discussão não pode ignorar as diferenças entre os setores produtivos. Segundo ele, cada área da economia tem características próprias, e esse fator precisa ser considerado no debate sobre eventual mudança na legislação trabalhista. Ainda assim, reforçou que a direção geral do mundo do trabalho aponta para jornadas menores.
Durante o discurso, Alckmin também mencionou a possibilidade de avanço do tema na Câmara dos Deputados e disse que a votação de proposta ligada à redução da jornada poderia ocorrer ainda nesta semana. A fala se soma ao debate que ganhou força no país em torno da revisão da escala que concentra seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
Além da pauta trabalhista, o vice-presidente tratou de possíveis ajustes na Previdência. Segundo ele, o aumento da expectativa de vida da população exige revisão de cálculos atuariais do sistema, já que os brasileiros têm vivido mais e, consequentemente, permanecem por mais tempo recebendo benefícios previdenciários.
Ao falar sobre o tema, Alckmin defendeu que eventuais correções não recaiam sobre os trabalhadores de menor renda. O vice-presidente criticou desigualdades entre regimes de aposentadoria e apontou diferença expressiva entre os benefícios pagos pelo INSS, em sua maioria próximos de um salário mínimo, e aposentadorias mais elevadas no setor público.
Na mesma linha, ele também defendeu maior justiça tributária como forma de equilibrar as contas públicas sem penalizar os mais pobres. Citou medidas recentes de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e disse que a reforma tributária deverá produzir efeitos sociais mais claros à medida que sua implementação avance.
O evento reuniu representantes de várias categorias e teve forte defesa do fim da escala 6x1 por parte das lideranças sindicais. O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou que os trabalhadores querem continuar produzindo, mas também desejam mais tempo para viver, conviver com a família e cuidar da saúde. Ao longo dos discursos, também houve cobranças ao Congresso Nacional e defesa de maior mobilização sindical diante do cenário político atual.
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