Campo Grande (MS), Quarta-feira, 08 de Abril de 2026

Polícia / Interior

Investigação sobre morte de casal em Anastácio aponta disputa familiar, contradições e suspeita de crime encomendado

Filha das vítimas é apontada como suspeita de participação no duplo homicídio; apuração reúne relatos de vizinhos, versões divergentes e denúncia de abusos na infância

08/04/2026

07:30

DA REDAÇÃO

A investigação sobre o assassinato de Maria Clair Luzni e Vilson Fernandes Cabral, encontrados mortos dentro da própria casa em Anastácio, ganhou novos contornos com o avanço dos depoimentos colhidos pela polícia e os relatos de moradores da vizinhança. O caso, que abalou a cidade, passou a ser associado por populares a um crime familiar de grande repercussão nacional, em razão da suspeita de envolvimento direto da própria filha do casal na execução do plano.

As vítimas foram localizadas mortas no dia 28 de março, em uma residência na Rua Nicandro Saravi, na Vila Juí. A principal linha investigativa aponta que o crime teria sido articulado por Maria de Fátima Luzni Fernandes, de 26 anos, filha do casal, com participação do companheiro dela, Wedebrson Haly, de 34 anos, e de outros envolvidos. Segundo a apuração, a execução teria ocorrido na noite de 26 de março.

Outros dois nomes apareceram na investigação: David Vareiro Machado e Wellington dos Santos Vieira. Ambos morreram nos dias seguintes ao crime. David foi encontrado morto e Wedebrson é apontado como um dos suspeitos nesse homicídio. Já Wellington morreu durante confronto com a polícia em uma rua da cidade. Imagens de câmera de segurança registraram o momento em que ele foi baleado.

De acordo com relatos de moradores, o comportamento da filha do casal após as mortes chamou a atenção da vizinhança. Testemunhas afirmaram que Maria de Fátima teria limpado a casa, queimado roupas e objetos dos pais e removido vestígios do crime. Segundo esses relatos, a faxina teria sido feita ao som de música alta, o que aumentou ainda mais a perplexidade de quem acompanhava a movimentação no local.

A motivação investigada pela polícia envolve um conflito em torno da venda de um imóvel da família. Conforme as informações reunidas no inquérito, havia desentendimento entre os pais e a filha sobre a divisão do valor de uma casa anunciada por R$ 120 mil. A suspeita é de que Maria de Fátima receberia R$ 20 mil após a negociação, o que teria alimentado o conflito dentro da residência.

Moradores relataram que as brigas eram frequentes e que os desentendimentos familiares já vinham se arrastando havia algum tempo. Uma vizinha contou que, na noite do crime, ouviu gritos vindos da casa, principalmente da mãe, Clair, o que reforçou a suspeita de violência brutal no interior do imóvel. Também segundo esses relatos, a família vivia um ambiente de tensão constante, com ameaças verbais recorrentes.

A delegada titular da Delegacia de Anastácio, Tatiana Zynger, informou que a filha das vítimas declarou ter sofrido abusos cometidos pelo pai durante a infância e a adolescência. Segundo a autoridade policial, essa acusação aparece no depoimento como um dos elementos que agravavam o conflito familiar e teria sido usada para justificar a adesão ao plano criminoso. Conforme a versão atribuída à investigada, o companheiro teria sugerido “castigar” o pai, e ela acabou concordando.

Ainda segundo a delegada, as versões apresentadas pelos envolvidos são diferentes e marcadas por inconsistências. Maria de Fátima alegou que inicialmente teria concordado apenas com a ideia de dar um susto no pai, e não com a morte da mãe. Em depoimento, ela também teria admitido a contratação de David Vareiro Machado por R$ 1 mil, dizendo que ele, por sua vez, acionou Wellington dos Santos Vieira para participar da ação.

Na mesma linha, a investigada afirmou que a morte da mãe não teria sido planejada. Segundo a versão apresentada por ela à polícia, o companheiro teria informado que Maria Clair não estaria na casa no momento da execução. Já Wedebrson Haly negou participação no assassinato do casal e sustentou legítima defesa no caso da morte de David.

O caso segue sob investigação e mobiliza a polícia diante da gravidade das circunstâncias, do vínculo familiar entre vítimas e suspeitos e da sucessão de mortes ligadas à apuração. A análise dos depoimentos, dos laudos e dos demais elementos colhidos no inquérito deve orientar os próximos passos da responsabilização criminal dos envolvidos.


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