Polícia / Investigação
PF deflagra operação contra fraude em sistemas federais e apura tentativa de grilagem de terras em MS
Mandados são cumpridos em Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Ponta Porã; investigação aponta inserção de dados falsos em cadastros fundiários e ambientais
07/04/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira, 7 de abril de 2026, a Operação Terra Forjada para apurar um suposto esquema de fraude em sistemas públicos federais usado para simular posse ou domínio sobre áreas rurais em Mato Grosso do Sul. A ação cumpre mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo e Ponta Porã.
Segundo a PF, as investigações identificaram indícios de manipulação de dados em sistemas oficiais com o objetivo de dar aparência de legalidade à ocupação de áreas rurais, inclusive terras públicas e propriedades privadas regularmente constituídas. A apuração também aponta possíveis fraudes ligadas à reserva legal, com inserção de informações inconsistentes para sustentar uma suposta regularidade ambiental.
De acordo com a corporação, um dos investigados, responsável técnico por atividades de georreferenciamento, teria inserido dados ideologicamente falsos em sistemas oficiais, inclusive com uso indevido de informações vinculadas a outro imóvel rural. Para a PF, esse procedimento teria viabilizado tanto a tentativa de apropriação de terra pública quanto a sobreposição indevida sobre área particular.
A operação tem como alvo duas empresas e seis pessoas. Entre os sistemas mencionados na investigação estão o SIGEF (Sistema de Gestão Fundiária) e o SICAR (Sistema Nacional de Cadastro Ambiental Rural), bases consideradas centrais para o controle fundiário e ambiental de imóveis rurais.
As apurações tiveram origem na Base Quadrante, em Corumbá, unidade implantada no contexto dos incêndios e da seca extrema no Pantanal em 2024. Segundo a PF, foi a partir desse núcleo que se avançou na identificação de irregularidades relacionadas ao uso de informações fundiárias e ambientais para sustentar tentativas de grilagem.
Em Campo Grande, um dos alvos é uma empresa de topografia e engenharia ambiental que já havia sido investigada na Operação Terra Nullius, deflagrada anteriormente para apurar fraudes fundiárias semelhantes. A nova ofensiva sugere continuidade ou reaparecimento de práticas já investigadas, embora a responsabilização final ainda dependa do avanço do inquérito e da análise do material apreendido. Essa relação é uma inferência com base na reincidência do nome da empresa nas reportagens e no histórico citado pela PF e pela imprensa local.
O nome Terra Forjada faz referência ao método investigado, centrado na suposta fabricação documental e técnica de uma realidade fundiária inexistente. Conforme a cobertura local, o georreferenciamento de imagens foi um dos recursos usados para identificar a sobreposição espacial das áreas, elemento considerado decisivo para o esclarecimento das irregularidades.
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