Política / Legislativo
Gleice Jane pressiona Assembleia por votação de requerimento sobre repasses públicos à Fiems
Deputada afirma que pedido de informações pode embasar investigação mais ampla sobre contratos e recursos destinados à entidade industrial
31/03/2026
11:00
DA REDAÇÃO
©ARQUIVO
A deputada estadual Gleice Jane (PT) cobrou da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) a votação de um requerimento apresentado por ela com o objetivo de obter informações sobre repasses milionários destinados à Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul). Segundo a parlamentar, os dados poderão servir de base para a adoção de novas medidas de investigação, inclusive a discussão sobre a abertura de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).
De acordo com a deputada, o requerimento foi protocolado em 3 de março, mas ainda não havia sido levado à votação no plenário da Casa. Ao voltar ao tema na tribuna, Gleice Jane afirmou que a demora reforça a necessidade de pressionar pela inclusão da matéria na pauta, especialmente diante do debate público em torno dos incentivos fiscais e da destinação de recursos a entidades do setor produtivo.
A cobrança ocorreu em meio à manifestação de servidores estaduais, que questionaram a política de renúncia fiscal do Estado e associaram a concessão de benefícios à dificuldade de ampliação do reajuste salarial do funcionalismo. Para a parlamentar, o posicionamento dos trabalhadores reforça a importância de discutir com transparência a aplicação dos recursos públicos e os critérios adotados na manutenção desses repasses.
Segundo o conteúdo mencionado no requerimento, a Fiems, presidida por Sérgio Longen, tem previsão de receber mais de R$ 60 milhões em recursos públicos neste ano. Na avaliação da deputada, trata-se de um volume expressivo que justifica maior escrutínio por parte do Legislativo, mesmo que a entidade não integre formalmente a estrutura direta do Estado.
A petista argumenta que a federação exerce papel estratégico no desenvolvimento econômico de Mato Grosso do Sul e, justamente por isso, deve estar sujeita a questionamentos e mecanismos de controle quando houver indícios de irregularidades ou dúvidas sobre contratos e repasses. Segundo ela, a intenção não é apenas produzir desgaste político, mas reunir elementos consistentes para uma apuração séria e tecnicamente fundamentada.
Nos bastidores da bancada do PT na Alems, a discussão sobre uma eventual CPI da Fiems segue em curso. Gleice Jane avaliou que há resistência entre parlamentares para a instalação da comissão e que, por isso, será necessário reunir conteúdo robusto para sustentar a proposta. Na leitura da deputada, quanto mais consistente for o material levantado, mais difícil será impedir o avanço de uma investigação formal.
O deputado Zeca do PT afirmou que já haveria apoio inicial do deputado estadual João Henrique Catan (Novo) e que a meta é alcançar o mínimo de oito assinaturas necessário para viabilizar a tramitação do pedido. Ele também defendeu a possibilidade de acionar o Ministério Público Federal (MPF), sob o argumento de que parte dos recursos envolvidos pode ter origem federal.
Já o deputado Pedro Kemp (PT) adotou posição mais cautelosa. Embora defenda a necessidade de apuração, ele ponderou que, neste momento, o caminho mais adequado seria aguardar a resposta ao requerimento de informações encaminhado à CNI e avaliar, a partir dos documentos recebidos, qual medida jurídica ou legislativa caberia adotar em seguida. Segundo ele, o prazo de resposta é de 15 dias.
A pressão por esclarecimentos ocorre enquanto a Fiems já é alvo de investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por supostas irregularidades em contratos que somam R$ 1.502.944,07. O inquérito envolve acordos firmados com as empresas Multifer e Inovaseg, ambas ligadas aos mesmos sócios, Diego de Souza Alves e Evanildo Albuquerque da Rosa.
Conforme os dados citados, foram identificados três contratos celebrados entre julho de 2022 e outubro de 2023, incluindo fornecimento de materiais elétricos e equipamentos de proteção individual (EPIs). O inquérito foi instaurado em 9 de fevereiro pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, e o procedimento tramita sob sigilo.
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