Campo Grande (MS), Segunda-feira, 09 de Março de 2026

Polícia / Feminicídio

Homem matou a esposa pela manhã, usou celular da vítima e manteve corpo em casa durante todo o dia em Anastácio

Filha relata que suspeito enviou mensagem pelo WhatsApp se passando por Leise Aparecida Cruz antes de comunicar a morte; caso é investigado como feminicídio

08/03/2026

10:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O assassinato de Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, em Anastácio, ganhou novos contornos com o relato da filha da vítima, Leisiane Cruz Vieira, que decidiu tornar pública a sequência de fatos para denunciar a brutalidade do crime e evitar que a morte da mãe seja reduzida a mais um dado estatístico. O caso veio à tona neste domingo, 8 de março, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, e reforça o alerta sobre a violência de gênero em Mato Grosso do Sul.

De acordo com a investigação, o autor confesso é Edson Campos Delgado, marido da vítima. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele admitiu ter matado Leise por volta das 7h da manhã de sexta-feira, 6 de março. Mesmo após o crime, permaneceu na residência ao longo de todo o dia, mantendo o corpo dentro da casa.

Horas depois, às 8h30, a filha recebeu uma mensagem enviada do celular da mãe. No aplicativo, apareceu um cumprimento rotineiro, exatamente no modo como Leise costumava falar com ela. Sem desconfiar de nada, Leisiane respondeu normalmente. Somente mais tarde a família descobriria que, naquele momento, a vítima provavelmente já estava sem vida e que a mensagem havia sido enviada pelo próprio suspeito para despistar os familiares.

Ainda segundo o relato, o telefone da vítima deixou de responder após essa conversa. Apenas no fim da noite, por volta das 23h, Edson Campos Delgado entrou em contato informando que a mulher estaria passando mal e que havia acionado socorro. Em seguida, afirmou que a levava ao hospital. Já na madrugada, às 1h58, comunicou ao marido de Leisiane que Leise Aparecida Cruz havia morrido.

Até então, a família acreditava estar diante de uma emergência de saúde. A suspeita começou a mudar após a análise inicial do Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), que apontou sinais compatíveis com asfixia. Diante das evidências reunidas pelos investigadores, o homem acabou confessando o crime.

No depoimento da filha, a relação entre a mãe e o suspeito é descrita como um vínculo que, no início, parecia afetuoso, mas que teria se tornado marcado por controle e medo. Segundo Leisiane, os dois se conheciam desde a época da escola, seguiram caminhos diferentes, tiveram outros relacionamentos e voltaram a se aproximar há cerca de cinco anos. Da união nasceu um menino, hoje com três anos, que passou a ficar sob os cuidados dos avós após a morte da mãe.

A filha afirma que, com o passar do tempo, o comportamento do padrasto mudou e passou a incluir possessividade e controle financeiro. Segundo o relato, Leise comentava o sofrimento vivido dentro da relação e cogitou denunciá-lo, mas teria recuado por medo.

Ao falar da mãe, Leisiane Cruz Vieira a descreve como uma mulher alegre, presente e cheia de vida. Para a família, tornar o caso público é também uma forma de preservar a memória da vítima e denunciar a gravidade da violência sofrida. O caso é investigado pela Polícia Civil como feminicídio e já integra a lista dos crimes do tipo registrados em Mato Grosso do Sul em 2026.

A denúncia de violência contra a mulher pode ser feita pela Central 180, com atendimento gratuito e durante 24 horas. Em situações de emergência, o acionamento deve ser feito pelo 190.

 


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