Política / Ciência
Deputado Pedro Kemp homenageia cientista da UFRJ por pesquisa com proteína que pode restaurar movimentos após lesão medular
Moção de Congratulação reconhece trabalho da professora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina
19/02/2026
21:15
DA REDAÇÃO
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A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou, nesta semana, Moção de Congratulação apresentada pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT) em reconhecimento ao trabalho da professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pelo desenvolvimento da proteína experimental polilaminina, que pode estimular a reconexão de neurônios em casos de lesão na medula espinhal.
A cientista é bióloga e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, onde coordena pesquisas há mais de duas décadas sobre o composto. A polilaminina é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário e na formação de conexões neuronais.
Segundo o parlamentar, o avanço representa um marco para a ciência nacional. “Nossa Moção é pelo relevante avanço científico alcançado em sua trajetória de pesquisa e pela contribuição de grande impacto para a ciência brasileira. É um orgulho nacional, ciência produzida no Brasil que demonstra qualidade e relevância”, afirmou Pedro Kemp durante a sessão.

A polilaminina vem sendo estudada há mais de 20 anos pela UFRJ. Em casos de lesão medular, como os provocados por acidentes ou traumas, as fibras nervosas são rompidas, impedindo que os sinais elétricos enviados pelo cérebro cheguem ao restante do corpo. A atuação da proteína consiste em estimular o crescimento dessas fibras e restabelecer parte da comunicação neural.
O composto ainda está em fase de estudos clínicos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mas já tem sido aplicado experimentalmente em alguns pacientes.
Em Mato Grosso do Sul, o militar Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, tornou-se o primeiro paciente do Estado a receber a polilaminina. Ele também é considerado o paciente mais jovem a utilizar o tratamento no Brasil.
O jovem, integrante do Exército Brasileiro, ficou tetraplégico após um acidente com arma de fogo ocorrido em outubro do ano passado. A aplicação da proteína foi realizada no Hospital Militar de Campo Grande, após decisão judicial que garantiu o acesso ao medicamento experimental.
Doze dias após a aplicação, Luiz Otávio relatou os primeiros sinais de resposta neurológica. “É algo mínimo, é um movimento pequeno, só que é algo que eu não via antes. Eu não conseguia mexer a ponta do dedo indicador igual mexia os outros dedos, e agora eu consigo”, declarou o militar à imprensa.
Além da movimentação parcial de um dos dedos da mão, ele também afirmou ter passado a sentir estímulos nas pernas, que haviam perdido sensibilidade após o acidente.
Após a alta hospitalar, Luiz Otávio seguirá com sessões de fisioterapia em casa, acompanhado por equipe multidisciplinar. O acompanhamento clínico é considerado essencial para potencializar os efeitos da proteína e estimular a reorganização funcional do sistema nervoso.
A pesquisa conduzida pela equipe da UFRJ é vista como uma das iniciativas mais promissoras no campo da regeneração neural no Brasil. Embora ainda em fase experimental, os resultados preliminares têm gerado expectativa na comunidade científica e entre pacientes com lesões medulares.
A homenagem formalizada pela Assembleia Legislativa destaca o impacto social e científico da descoberta e reforça a relevância do investimento contínuo em pesquisa e inovação no país.
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