Política / Eleições
Michelle Bolsonaro decide não participar da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro
Ex-primeira-dama comunica posição a Jair Bolsonaro após desgaste interno; aliados dizem que cenário ainda pode ser revertido
15/02/2026
22:15
ESTADÃO
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) decidiu que não pretende se engajar na campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo aliados ouvidos pela imprensa. A decisão já teria sido comunicada ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), embora interlocutores afirmem que o posicionamento não é definitivo.
Procurada, Michelle não comentou o assunto. Já Flávio declarou que mantém diálogo frequente com a ex-primeira-dama e classificou como “tentativas de divisão” as informações sobre o distanciamento.
“Falo com a Michelle diretamente e não vou alimentar tentativas de divisão fabricadas por fontes ocultas e mentirosas”, afirmou o senador.
De acordo com aliados de Michelle, o ponto de ruptura teria sido uma mensagem enviada por Flávio no mês passado, na qual ele teria insinuado que a ex-primeira-dama estaria articulando contra sua candidatura presidencial. Pessoas próximas relatam que Michelle se sentiu ofendida com o teor da mensagem.
Apesar disso, integrantes do entorno dela afirmam que o impasse pode ser superado caso haja um pedido de desculpas e gesto de reaproximação.
Michelle já teria informado que não fará campanha para o enteado, mas também não pretende atacá-lo publicamente. A postura contrasta com sua atuação em 2022, quando percorreu o país em agendas próprias, especialmente voltadas ao eleitorado feminino e evangélico.
A ex-primeira-dama está afastada da presidência do PL Mulher desde dezembro do ano passado. Oficialmente, alegou questões médicas. O afastamento, contudo, ocorreu após a prisão do ex-presidente e pouco depois do anúncio de que Flávio seria o nome escolhido para disputar a Presidência — movimento que, segundo relatos, não teria sido previamente comunicado a Michelle.
Aliados indicam que ela deverá concentrar esforços na disputa ao Senado pelo Distrito Federal e no apoio a candidatas alinhadas ao seu grupo em diferentes estados.

O distanciamento também ocorre em meio a divergências estratégicas dentro do grupo bolsonarista.
Interlocutores de Flávio afirmam que Michelle preferia ver o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como candidato à Presidência, com ela na vice. No mês passado, Michelle compartilhou vídeo de Tarcísio com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e curtiu comentário da primeira-dama paulista, Cristiane Freitas, defendendo a necessidade de um “novo CEO” para o país.
O episódio gerou críticas de influenciadores e militantes bolsonaristas, como Allan dos Santos.
Em Santa Catarina, Michelle declarou apoio à deputada federal Caroline de Toni (PL-SC) para o Senado, contrariando arranjo partidário que envolve a candidatura de Carlos Bolsonaro (PL) e o apoio ao senador Esperidião Amin (PP-SC).
No Ceará, posicionou-se contra possível aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), o que também gerou tensão interna. Em São Paulo, defende a candidatura da deputada Rosana Valle (PL) ao Senado, divergindo da ala ligada a Eduardo Bolsonaro, que apoia nomes como Gil Diniz (PL) e Mario Frias (PL).
Aliados de Michelle avaliam que Flávio estaria conduzindo articulações de forma impositiva, o que teria provocado atritos com lideranças como Nikolas Ferreira (PL-MG) e o próprio Tarcísio.
Nikolas publicou manifestação nas redes afirmando que apoiará Flávio, mas criticou ataques internos e afirmou que não participa da coordenação da campanha. O deputado também pediu que críticas públicas contra ele sejam desautorizadas para evitar divisões.
O influenciador Paulo Figueiredo, por sua vez, questionou a postura de Nikolas e afirmou que a falta de engajamento pode ter consequências políticas.
Embora a decisão de Michelle tenha sido comunicada ao núcleo familiar, aliados sustentam que o quadro ainda pode mudar, dependendo de movimentos de reconciliação.
A eventual ausência da ex-primeira-dama na campanha presidencial pode representar impacto estratégico relevante, especialmente entre eleitores evangélicos e mulheres, segmentos nos quais ela demonstrou capacidade de mobilização nas eleições anteriores.
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