Política / Eleições 2026
Sem Tarcísio no Planalto, Centrão fragmenta estratégia e busca alternativa à candidatura de Flávio Bolsonaro
Siglas avaliam irreversível a presença do filho de Jair Bolsonaro na disputa presidencial, mas resistem a uma adesão formal e testam caminhos próprios
29/01/2026
08:45
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
Após meses de expectativa em torno de uma possível candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), partidos do Centrão passaram a trabalhar com um novo cenário eleitoral: a permanência de Tarcísio em São Paulo para disputar a reeleição e a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como nome da direita na corrida ao Palácio do Planalto.
Dirigentes de legendas como PSD, União Brasil, PP e Republicanos, ouvidos pela Folha, consideram hoje irreversível a presença de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Essa leitura, no entanto, não se traduziu em apoio automático ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Pelo contrário, o diagnóstico interno aponta para resistência e cautela, abrindo espaço para a construção de uma candidatura alternativa no campo da direita.
O PSD foi uma das primeiras siglas a admitir que não poderia contar com Tarcísio como presidenciável. O principal gesto nesse sentido foi a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciada na terça-feira (27). Caiado tem afirmado que não abrirá mão de concorrer à Presidência, garantindo ao partido um candidato próprio.
Além de Caiado, o PSD abriga os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná) como possíveis presidenciáveis, mas ambos enfrentam obstáculos internos e regionais. Leite não empolga setores fora do Sul, enquanto Ratinho Jr. lida com dificuldades políticas em seu estado.
Segundo dirigentes da legenda, a estratégia passa por desidratar a candidatura de Flávio Bolsonaro e tentar chegar ao segundo turno. Caso isso não se concretize, o partido ainda não definiu apoio nem a Flávio nem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantendo aberta a possibilidade de neutralidade, como ocorreu na última eleição.
No PP, o presidente Ciro Nogueira chegou a sinalizar publicamente simpatia por Flávio Bolsonaro, mas a Federação União Progressista — formada com o União Brasil — ainda não fechou posição. Nos bastidores, Ciro tem defendido prudência e a espera por definições mais claras antes de qualquer adesão.
Apesar de ocuparem ministérios e cargos no atual governo Lula, essas siglas também não demonstram disposição de apoiar o petista no primeiro turno. O Palácio do Planalto, por ora, vê com bons olhos a fragmentação da direita e a ausência de um apoio fechado a Flávio.
Inicialmente, lideranças do Centrão tentaram manter Tarcísio de Freitas como alternativa presidencial, mesmo após Bolsonaro escolher o filho. O entendimento predominante hoje é que o governador não confrontaria o ex-presidente para disputar o Planalto, especialmente após desgastes recentes com a família Bolsonaro.
A Federação União Progressista já retirou Tarcísio de seus cálculos nacionais e passou a priorizar a montagem de chapas estaduais. A decisão sobre apoio presidencial deve ficar apenas para abril, prazo que coincide com definições legais do calendário eleitoral.
No Republicanos, partido de Tarcísio, a avaliação interna é de que a neutralidade é o caminho mais provável. A legenda já defendia há meses que o governador permanecesse em São Paulo, considerando a reeleição como praticamente assegurada e menos arriscada do que uma disputa nacional.
O governador reforçou recentemente os laços com o partido ao convidar Roberto Carneiro, presidente estadual da sigla, para assumir a Casa Civil, movimento visto como fortalecimento da relação com a cúpula nacional comandada por Marcos Pereira.
Já no MDB, apesar da proximidade institucional com Lula — o partido ocupa três ministérios —, a tendência também é a neutralidade. Um apoio a Flávio Bolsonaro é considerado improvável, e eventuais mudanças no cenário não estão totalmente descartadas.
A entrada de Ronaldo Caiado na disputa pelo PSD deu às siglas de centro-direita uma terceira alternativa, além do apoio a Flávio ou da neutralidade. Em evento recente, Caiado afirmou que buscará o apoio de partidos como MDB, Republicanos, PP e União Brasil para viabilizar uma candidatura competitiva.
Enquanto isso, o Solidariedade, agora federado com o PRD, também descartou a hipótese de Tarcísio como presidenciável e deve liberar seus filiados para apoiar diferentes candidatos no primeiro turno.
O quadro geral indica que, embora Flávio Bolsonaro esteja consolidado como nome da direita, o Centrão segue dividido, testando alternativas e evitando compromissos antecipados em um cenário que permanece aberto e sujeito a rearranjos até os prazos finais do calendário eleitoral.
Palavras-chave para indexação:
Centrão, Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, eleições presidenciais 2026, PSD, Ronaldo Caiado, União Brasil, PP, Republicanos, terceira via, política nacional.
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