Campo Grande (MS), Domingo, 11 de Janeiro de 2026

Política Internacional

Vaticano teria tentado mediar asilo de Nicolás Maduro na Rússia antes da operação dos EUA

Relatório do Washington Post aponta papel diplomático do cardeal Pietro Parolin em negociações para evitar derramamento de sangue na Venezuela

11/01/2026

07:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O Vaticano procurou autoridades dos Estados Unidos no fim de dezembro de 2025 na tentativa de encontrar uma solução negociada para a saída do presidente venezuelano Nicolás Maduro, conforme reportagem publicada pelo jornal The Washington Post. Segundo o veículo, que teve acesso a documentos governamentais e entrevistas com quase 20 fontes anônimas, o objetivo era discutir um possível asilo para Maduro na Rússia, antes da ofensiva militar norte-americana que culminou em sua captura no início de janeiro.

De acordo com a reportagem, o cardeal italiano Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e um dos principais nomes da diplomacia da Igreja Católica, teria convocado o embaixador dos EUA junto à Santa Sé, Brian Burch, na véspera de Natal, para obter detalhes sobre os planos dos americanos na Venezuela e sugerir uma saída alternativa para Maduro que evitasse maior instabilidade e confrontos armados.

Durante a conversa, Parolin teria questionado se os Estados Unidos buscavam de fato uma mudança de regime e pedido paciência, ressaltando que uma saída pacífica de Maduro poderia reduzir riscos de derramamento de sangue no país latino-americano. Ainda segundo os documentos, ele mencionou que a Rússia estaria disposta a receber Maduro em asilo e solicitou que Washington considerasse essa hipótese.

O Vaticano confirmou que houve negociações no período natalino, mas declarou ao jornal que é “lamentável que partes de uma conversa confidencial tenham sido divulgadas sem refletir com precisão o conteúdo”. O Departamento de Estado dos EUA não se pronunciou sobre o assunto, assim como o Kremlin.

A tentativa de mediação diplomática ocorreu poucos dias antes da operação de forças especiais dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em solo venezuelano. Maduro foi posteriormente transferido para Nova York, onde enfrenta acusações relacionadas ao narcotráfico.

Fontes consultadas pelo Washington Post também indicam que a oferta russa pode ter sido condicionada a concessões em outros temas geopolíticos de interesse mútuo entre Washington e Moscou, incluindo negociações sobre a guerra na Ucrânia. Maduro teria declinado a proposta por razões pessoais, inclusive restrições no acesso a recursos financeiros no exterior, segundo a reportagem.

Este episódio expõe um raro momento de diplomacia ativa por parte da Santa Sé em um dos cenários mais complexos da política internacional recente, envolvendo tensões entre grandes potências e questões de estabilidade regional na América Latina.


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