Campo Grande (MS), Domingo, 30 de Novembro de 2025

Política / Economia

Governo Lula avalia que EUA devem exigir contrapartidas para avançar em novas reduções do tarifaço

Brasília tenta priorizar desoneração industrial e negociar fim de sanções a autoridades brasileiras; 22% das exportações seguem com sobretaxa de 40%

30/11/2025

08:30

DA REDAÇÃO

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que os Estados Unidos devem cobrar contrapartidas para realizar novas reduções no tarifaço aplicado sobre produtos brasileiros. Apesar do anúncio recente do governo de Donald Trump, que retirou a sobretaxa de 40% sobre itens como carne e café, grande parte dos produtos manufaturados do Brasil continua sujeita ao valor máximo da tarifa.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), 22% das exportações brasileiras aos EUA permanecem submetidas à sobretaxa de 40% — ou à combinação de 40% + 10%, a depender da classificação do produto. Outros 15% enfrentam apenas a tarifa adicional de 10%.

Com base nos US$ 40,4 bilhões exportados pelo Brasil aos EUA em 2024, o governo fez a seguinte distribuição:

  • US$ 8,9 bilhões seguem sob tarifa de 40%

  • US$ 6,2 bilhões têm adicional de 10%

  • US$ 14,3 bilhões estão isentos

  • US$ 10,9 bilhões são afetados pelas tarifas da Seção 232 (sobre aço e alumínio)

A desoneração parcial anunciada por Trump trouxe alívio principalmente ao agronegócio, enquanto a indústria brasileira continua sendo a mais atingida.

Expectativa de contrapartidas

Nos bastidores, o Planalto avalia que os Estados Unidos devem solicitar algum tipo de concessão nas negociações, embora Washington ainda não tenha indicado claramente quais seriam as exigências.

O governo brasileiro, por sua vez, quer avançar não apenas na questão industrial, mas também na revogação de sanções impostas por Washington a autoridades nacionais.

Essas sanções incluem:

  • Suspensão de vistos de ministros brasileiros

  • A aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, medida que bloqueia vistos e permite restrições financeiras

Bolsonaro ficou fora da mesa, apesar de movimento inicial

Segundo integrantes do governo, houve inicialmente uma tentativa de inserir a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro nas negociações. No entanto, o tema não chegou a ser efetivamente debatido.

Trump já havia demonstrado apoio público a Bolsonaro. Em julho, afirmou que o ex-presidente deveria ser “deixado em paz” e classificou as investigações no Brasil como “caça às bruxas”.

Nova fase de diálogo

Com a retomada do diálogo direto entre Lula e Trump, auxiliares do Planalto avaliam que as sanções impostas pelos EUA perdem sentido político e podem ser revistas rapidamente caso o clima de cooperação avance.

Ao mesmo tempo, o governo tenta construir uma agenda que proteja setores industriais mais afetados e evite perda de competitividade internacional. O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre concessões diplomáticas e interesses econômicos estratégicos.


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