Política / Justiça
Desembargadora revoga prisão de Daniel Vorcaro e demais investigados da Operação Compliance Zero
Decisão aponta ausência de violência, falta de risco atual à ordem pública e substitui prisão por tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares
28/11/2025
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), revogou na noite desta sexta-feira (28) a prisão do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e dos demais investigados na Operação Compliance Zero. Também serão soltos Augusto Lima, Luiz Antônio Bull, Alberto Félix de Oliveira e Ângelo Ribeiro da Silva.
A magistrada entendeu que, apesar de inicialmente presentes os requisitos da prisão preventiva, os delitos atribuídos aos acusados não envolvem violência ou grave ameaça, o que afasta a necessidade da medida extrema. Além disso, apontou que não há demonstração de periculosidade atual nem risco à ordem pública que justifique a manutenção das prisões.
Segundo ela, o suposto risco de fuga levantado pela Polícia Federal pode ser mitigado com medidas alternativas. A defesa de Vorcaro havia anexado documentação demonstrando que o banqueiro comunicou previamente ao Banco Central sua viagem internacional, alegando que o deslocamento estava relacionado à venda do Banco Master, o que enfraquece a tese de evasão.
“O risco residual de evasão mostra-se controlável com medidas menos gravosas, como a retenção do passaporte”, destacou Salgado.
A desembargadora também rejeitou o argumento de que Vorcaro poderia continuar atuando em atividades ilícitas por meio de empresas paralelas. Para ela, o risco pode ser neutralizado com a suspensão de suas atividades de gestão ou administração empresarial, conforme prevê o Código de Processo Penal.
Os investigados terão de cumprir um conjunto rígido de restrições, que substituem a prisão preventiva:
Comparecimento periódico em juízo para informar e justificar atividades.
Proibição de contato com outros investigados e testemunhas, por qualquer meio.
Proibição de deixar o município de residência sem autorização judicial.
Proibição de sair do país, com retenção de passaporte.
Suspensão de atividades de gestão ou administração em quaisquer empresas.
Monitoração eletrônica (tornozeleira), para fiscalização de todas as demais medidas.
Para a magistrada, a tornozeleira é “instrumento adequado e suficiente” para evitar reiteração delitiva e assegurar o cumprimento das determinações judiciais.
Daniel Vorcaro foi preso no dia 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar após anunciar a venda do Banco Master para um consórcio liderado pela Fictor.
A Polícia Federal sustentou que ele pretendia viajar para Malta, na Europa, caracterizando risco de fuga. A defesa afirma, porém, que o destino era Dubai, para tratar da venda da instituição, e que o Banco Central teria sido previamente informado.
Vorcaro é investigado por suposta participação em um esquema de fraude de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito comercializadas com o Banco de Brasília (BRB). A compra do Master pelo BRB, anunciada em março, acabou barrada pelo BC, que decretou liquidação extrajudicial da instituição financeira na semana passada.
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