Política Nacional
Governo tenta reconstruir pontes: Gleisi Hoffmann se reúne com Hugo Motta em meio à pior crise recente entre Planalto e Câmara
Ausência de Motta e Alcolumbre em evento do IR expôs desgaste; encontro buscou reabrir diálogo após rompimento declarado com Lindbergh Farias
26/11/2025
19:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reuniu-se na tarde desta quarta-feira (26) com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um movimento direto do governo para conter a crise política que se intensificou nos últimos dias entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso Nacional.
O encontro ocorreu na residência oficial da Câmara e foi considerado “positivo”, embora ainda distante de um alinhamento pleno. Interlocutores avaliam que a reunião reabriu um canal de diálogo entre a ministra e Motta, que vinha se afastando do governo após sucessivos atritos.
Pela manhã, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceram à cerimônia de sanção da lei que ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
As ausências foram interpretadas como sinal de descontentamento com o Planalto, especialmente após divergências envolvendo:
A tramitação do PL Antifacção na Câmara, relatado por Guilherme Derrite (PP-SP) após escolha de Motta, contrariando a expectativa do governo;
A crise aberta após o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), criticar publicamente o presidente da Câmara;
O desgaste simultâneo no Senado, onde Alcolumbre rompeu politicamente com o governo após discordar da indicação de Jorge Messias ao STF.
No início da semana, Hugo Motta afirmou à Folha de S.Paulo que estava “rompido” com Lindbergh Farias, líder da bancada do PT, após ser alvo de críticas do parlamentar.
A crise se ampliou quando Motta também chegou a se afastar de outras lideranças, incluindo o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), embora ambos tenham afirmado hoje que o impasse foi superado.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), tentou reduzir o peso político do conflito, afirmando que Lindbergh fala pela bancada petista — e não pelo governo.
“A liderança do governo tem que dialogar com todos os partidos. Não vamos confundir as coisas”, declarou.
A reaproximação ocorre em um momento crítico para o governo, que depende do Legislativo para destravar pautas importantes até o fim do ano, incluindo:
Indicações para o STF;
Matérias orçamentárias;
Propostas sensíveis na área de segurança e economia.
O gesto de Gleisi Hoffmann é visto como uma tentativa de estabilizar a relação e evitar que a crise se transforme em um bloqueio institucional às pautas do Executivo.
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