Política / Justiça
Receita Federal diz que campanha contra fiscalização do Pix, liderada por Nikolas Ferreira, favoreceu crime organizado
Operação Carbono Oculto aponta movimentação bilionária ligada ao PCC por meio de fintechs e fundos de investimento
28/08/2025
15:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou nesta quinta-feira (28) que a campanha contra a instrução normativa que previa a fiscalização do Pix e de fintechs ajudou a fortalecer o crime organizado no país. A declaração foi feita durante entrevista sobre a Operação Carbono Oculto, que investiga empresas de combustíveis e do setor financeiro suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo Barreirinhas, a norma publicada em setembro de 2024 e prevista para entrar em vigor em janeiro de 2025 foi derrubada após forte reação nas redes sociais. Entre os críticos estava o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), cujo vídeo contra a medida ultrapassou 9 milhões de curtidas no Instagram.
“A Receita Federal recebeu o maior ataque da história de mentiras, de fake news, dizendo falsamente que aquela instrução tratava de tributação de meios de pagamento. As operações de hoje mostram quem ganhou com essa mentira: o crime organizado”, afirmou o secretário, sem citar o parlamentar diretamente.
A investigação da Receita aponta que o PCC movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024 por meio de cerca de mil estabelecimentos vinculados à facção. O esquema incluía fintechs e fundos de investimento que recebiam recursos ilícitos e os injetavam no mercado financeiro.
De acordo com a superintendente da 8ª Região Fiscal da Receita, Maria Cecília Meng, a prática representa uma evolução no modo de operação da facção:
“Os antigos traficantes enterravam dinheiro e aquilo perdia valor. Hoje, o crime organizado ‘bancariza’ e coloca no mercado de capitais para render.”
As fintechs utilizavam chamadas “contas bolsão” em bancos comerciais, sem identificar o titular dos recursos, o que dificultava o rastreamento.
Um dos principais alvos da operação é a fintech BK Bank, apontada como “banco paralelo” da organização criminosa.
Segundo a Receita, a empresa movimentou R$ 46 bilhões não rastreáveis entre 2020 e 2024.
A Polícia Federal identificou, em outro recorte, R$ 68,9 milhões em transações da fintech entre janeiro de 2020 e agosto de 2025.
A defesa da BK Bank não foi localizada até a última atualização da reportagem.
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