Política / Inclusão
Michelle diz que defesa da comunidade surda está acima de partidos
Ex-primeira-dama voltou a comentar política de educação bilíngue lançada pelo governo Lula e afirmou que benefícios sociais devem superar disputas ideológicas
04/07/2026
12:00
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) voltou a se manifestar sobre a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos (Pnebs) e afirmou que a defesa das pessoas com deficiência deve permanecer acima de diferenças ideológicas ou partidárias.
A declaração foi publicada nas redes sociais após Michelle elogiar a iniciativa lançada pelo Ministério da Educação, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro comentário, ela classificou a implantação da política como a “realização de um sonho”.
Diante da repercussão, inclusive entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Michelle retomou o assunto e destacou sua atuação histórica em pautas relacionadas à inclusão.
Segundo a ex-primeira-dama, a defesa das pessoas com deficiência é uma causa pessoal e não deve ser condicionada à origem política de determinada medida.
“Ela está acima de qualquer ideologia ou partido”, escreveu ao se referir à pauta da comunidade surda.
Michelle também citou uma decisão tomada durante o governo Bolsonaro para sustentar o argumento de que políticas públicas precisam ser avaliadas pelo impacto produzido na vida da população.
Ela mencionou a sanção da chamada Lei Amália Barros, que reconheceu a visão monocular como deficiência sensorial. A proposta havia sido apresentada por um parlamentar do PT, mas foi sancionada pelo então presidente Jair Bolsonaro.
Na avaliação de Michelle, o episódio demonstrou que o interesse das pessoas beneficiadas deve prevalecer sobre disputas políticas.
“Jair não olhou quem apresentou o projeto. Avaliou o bem que iria fazer às pessoas e sancionou com alegria a lei”, afirmou.
A Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos estabelece diretrizes para a oferta de ensino em Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua e em português escrito como segunda língua.
Michelle afirmou que a proposta começou a ser construída durante o governo Bolsonaro, mas que uma disputa judicial teria atrasado sua implementação e impedido a conclusão do processo antes do fim da gestão.
Mesmo assim, ela reconheceu a importância da medida lançada pelo atual governo e destacou que o principal resultado deve ser medido pelo atendimento oferecido à população surda.
“O mais importante não é quem apresentou a política, mas quem se beneficia dela, a comunidade surda”, declarou.
As manifestações favoráveis a uma política implementada pelo governo Lula provocaram críticas em setores da base bolsonarista. Parte dos apoiadores interpretou os elogios como um gesto político em meio às disputas internas no campo conservador.
As publicações ocorrem durante um período de desgaste entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
A ex-primeira-dama afirmou recentemente ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” durante uma conversa telefônica com o enteado sobre decisões e alianças políticas do PL.
Apesar do contexto de tensão interna, Michelle sustentou que sua manifestação sobre a educação bilíngue não representa aproximação partidária, mas continuidade de uma agenda dedicada à inclusão e à defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
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