Política / Eleições 2026
Possível recuo de Hashioka pode mudar disputa por vagas federais em MS
Deputado avalia desistir da candidatura à Câmara Federal, cenário que pode afetar planos do Republicanos e alterar cálculo das sobras eleitorais
03/07/2026
15:30
DA REDAÇÃO
©REPRODUÇÃO/IA
O deputado estadual Roberto Hashioka (Republicanos) avalia desistir da disputa por uma vaga na Câmara Federal nas eleições de 2026. Caso o recuo se confirme, o movimento pode dificultar a estratégia do Republicanos, que trabalha com a expectativa de eleger dois deputados federais por Mato Grosso do Sul.
Hashioka deixou o União Brasil para se filiar ao Republicanos com o objetivo de disputar a eleição para deputado federal. Procurado pela reportagem, ele afirmou que ainda não tomou uma decisão definitiva.
“Até a convenção, decido”, resumiu o parlamentar.
A eventual desistência também teria reflexos na disputa entre chapas que miram as últimas vagas da bancada federal. Além do Republicanos, partidos como PL, União/PP, PSDB e PT acompanham de perto a formação das nominatas e o desempenho previsto nas chamadas sobras eleitorais.
Inicialmente, Roberto Hashioka havia anunciado que não disputaria a reeleição para a Assembleia Legislativa, abrindo espaço para apoiar a esposa, a ex-deputada Dione Hashioka. A mudança para o Republicanos foi vista como parte de uma estratégia para fortalecer a chapa federal da legenda.
Sem Hashioka na disputa, o Republicanos ficaria com uma composição formada por nomes como o deputado federal Beto Pereira, a vereadora de Dourados, Isa Marcondes, o vereador de Campo Grande, Neto Santos, e o ex-secretário estadual de Desenvolvimento, Jaime Verruck.
A ausência de um nome com base eleitoral consolidada pode reduzir o volume de votos da chapa e tornar mais difícil o objetivo de conquistar duas cadeiras em Brasília. Nesse cenário, legendas como PL e a federação ou aliança formada por União/PP podem ser beneficiadas na disputa por uma eventual terceira vaga.
O cálculo eleitoral ganhou novos contornos após mudanças na legislação. Com o fim da exigência de 80% do quociente eleitoral para disputar a chamada sobra das sobras, chapas menores passaram a ter mais chances de alcançar cadeiras mesmo sem atingir votações tão altas quanto em eleições anteriores.
Pela simulação baseada no resultado da última eleição, uma cadeira poderia ser conquistada com cerca de 101 mil votos, sem necessidade de alcançar patamar próximo a 140 mil votos, como ocorria antes em determinadas situações.
Na eleição passada, o quociente partidário em Mato Grosso do Sul, calculado pela divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras, foi de 175.809 votos. Apenas três vagas foram preenchidas diretamente pelo quociente. O PSDB, com 316.966 votos, o PL, com 218.427 votos, e o PT, com 201.961 votos, conquistaram cadeiras nessa primeira etapa.
As outras cinco vagas foram distribuídas pelas sobras. O PSDB ficou com a primeira, após a divisão de seus votos por dois, alcançando 158.483 votos no cálculo. A segunda vaga ficou com o PP, que chegou a 146.606 votos, dentro da regra vigente à época.
Na sequência, a terceira cadeira das sobras foi para o PL, com 109.213 votos. A quarta ficou novamente com o PSDB, com 105.655 votos, e a última foi para o PT, com 100.980 votos.
Por isso, qualquer alteração relevante nas chapas pode mudar o equilíbrio da disputa. A decisão de Roberto Hashioka, esperada até a convenção partidária, será observada por diferentes grupos políticos porque pode influenciar diretamente a composição da bancada federal de Mato Grosso do Sul em 2026.
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