Campo Grande (MS), Terça-feira, 30 de Junho de 2026

Tecnologia / Energia

Primeiro datacenter de MS inicia testes para minerar bitcoin com energia da cana

Unidade da Tether em Ivinhema usará bioeletricidade da Adecoagro e poderá produzir até 100 bitcoins por ano

30/06/2026

12:30

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O primeiro datacenter de Mato Grosso do Sul voltado à mineração de bitcoin começa a operar em fase de testes nesta quarta-feira, 1º de julho, em Ivinhema. A estrutura pertence à Tether, uma das maiores empresas globais do setor de criptomoedas, e está instalada dentro da unidade da Adecoagro.

O projeto utilizará energia renovável produzida a partir da biomassa da cana-de-açúcar. A proposta é transformar parte da bioeletricidade gerada pela usina em uma nova fonte de receita, por meio da produção de ativos digitais.

Na prática, em vez de destinar todo o excedente de energia ao mercado elétrico, a operação passará a usar parte da geração para abastecer os equipamentos responsáveis pela mineração de bitcoin. A estratégia combina produção bioenergética, infraestrutura tecnológica e mercado de criptomoedas.

A Tether tornou-se controladora da Adecoagro em abril de 2025, após concluir a aquisição de 70% das ações da companhia. Desde então, passou a integrar a capacidade de geração de energia renovável da empresa à sua estratégia global de expansão em infraestrutura digital.

Segundo a Adecoagro, esta primeira etapa será dedicada à validação dos sistemas do datacenter. A expectativa é que a unidade opere próxima da capacidade máxima nas próximas semanas, após a conclusão dos testes técnicos.

Os detalhes do empreendimento foram apresentados no início de junho, durante o evento Raízes do Futuro: Tecnologia e Inovação, pelo gerente de projetos da Adecoagro, Matheus Lechuga.

De acordo com ele, o datacenter ocupa uma área de 2.860 metros quadrados dentro da usina bioenergética de Ivinhema. A estrutura reúne 1.280 equipamentos de mineração, com consumo previsto de 10 megawatts de potência.

Esse volume equivale a aproximadamente 86.700 megawatts-hora por ano. A operação contará com uma equipe de dez colaboradores e terá capacidade para produzir até 100 bitcoins por ano.

A infraestrutura também foi planejada para futuras ampliações. O projeto poderá atingir consumo de até 40 megawatts, quadruplicando a capacidade instalada em relação à etapa inicial.

Considerando a cotação do bitcoin registrada nesta terça-feira, 30 de junho, de cerca de US$ 58,9 mil por unidade, equivalente a aproximadamente R$ 306,6 mil, a capacidade inicial representa potencial de geração de cerca de US$ 5,9 milhões por ano.

Em reais, o valor corresponde a aproximadamente R$ 30,7 milhões em bitcoins ao ano. A estimativa representa a receita bruta potencial da produção e pode variar conforme a cotação da criptomoeda, a dificuldade de mineração da rede e os custos operacionais.

O início dos testes coloca Mato Grosso do Sul em uma nova rota de negócios ligados à tecnologia e energia renovável. Com a operação em Ivinhema, o Estado passa a abrigar uma estrutura que conecta bioenergia, inovação digital e economia de ativos virtuais.

Para o setor produtivo, o projeto também mostra uma alternativa de aproveitamento da energia gerada nas usinas de cana. Na prática, o datacenter pode transformar excedentes energéticos em receita, ampliar a presença tecnológica no interior e abrir caminho para novos investimentos em infraestrutura digital no Estado.


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