Política / Direita
Paulo Figueiredo ataca Michelle e diz que mulheres “votam mal”
Influenciador bolsonarista criticou a ex-primeira-dama, chamou Michelle Bolsonaro de feminista e ampliou crise na direita
30/06/2026
08:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
O empresário e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo voltou a provocar desgaste no campo da direita ao atacar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e fazer declarações ofensivas sobre o voto feminino. Em vídeo publicado na última quinta-feira, 25 de junho, em seu canal no YouTube, ele afirmou que mulheres “votam muito mal”, especialmente as solteiras.
As falas ocorreram um dia depois de Michelle Bolsonaro divulgar vídeos nas redes sociais relatando ter sido desrespeitada por enteados em meio a divergências políticas sobre a montagem de chapas eleitorais. A crise envolve especialmente o senador Flávio Bolsonaro, do PL-RJ, pré-candidato à Presidência da República.
No vídeo, Paulo Figueiredo também chamou Michelle Bolsonaro e a senadora Damares Alves, do Republicanos-DF, de feministas. Para ele, a atuação política das duas estaria ligada a pautas que, em sua avaliação, não representam a direita.
O influenciador afirmou que muitas mulheres se consideram feministas por defenderem direitos iguais entre homens e mulheres, mas disse que, na visão dele, o feminismo teria matriz marxista e incluiria pautas identitárias. Ele também criticou a atuação do PL Mulher, presidido por Michelle Bolsonaro.
A fala mais dura foi direcionada ao comportamento eleitoral feminino. Figueiredo declarou que mulheres solteiras votariam pior do que mulheres casadas, sob o argumento de que estas tenderiam a acompanhar o voto dos maridos. A declaração foi citada pelo colunista Celso Rocha de Barros, da Folha de S.Paulo.
Nesta segunda-feira, 29 de junho, após a repercussão do caso, Paulo Figueiredo insistiu no posicionamento em publicação no X, antigo Twitter, e atacou a Folha de S.Paulo. Na postagem, ele afirmou que mulheres votam “mal” e reforçou a crítica especialmente às solteiras.
As declarações ocorreram no momento em que a campanha de Flávio Bolsonaro tenta reduzir a rejeição entre eleitoras. Segundo a pesquisa Datafolha mais recente citada no texto original, Lula, do PT, venceria Flávio por 52% a 37% entre mulheres em um cenário de segundo turno. Entre homens, o senador bolsonarista aparece à frente, com 50% a 41%.
O levantamento também aponta que Flávio Bolsonaro é o presidenciável com maior rejeição entre mulheres. Questionadas sobre em quem não votariam de jeito nenhum no primeiro turno, 53% das eleitoras citaram o senador. Lula foi mencionado por 40% das mulheres.
Durante a transmissão, Figueiredo disse que a dificuldade da direita com o eleitorado feminino não seria exclusividade de Flávio Bolsonaro. Ele também citou eleições nos Estados Unidos para defender que candidaturas democratas costumam ter melhor desempenho entre mulheres.
Dados de pesquisas de opinião compilados pelo centro Mulheres Americanas e Política, ligado à Rutgers University, indicam que eleitoras preferiram candidatos republicanos nas eleições de Ronald Reagan, em 1980 e 1984, e de George H. W. Bush, em 1988. Ainda assim, o resultado presidencial norte-americano depende da distribuição dos votos por Estado no Colégio Eleitoral, e não apenas do voto nacional por gênero.
Neto de João Figueiredo, último presidente do período militar, Paulo Figueiredo vive nos Estados Unidos e mantém proximidade com a família Bolsonaro. Ele tem atuado como uma das pontes entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores ligados ao governo de Donald Trump.
No vídeo, o influenciador também ironizou a forma como Michelle Bolsonaro se refere ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais e insinuou conhecer informações não reveladas sobre a relação entre os dois.
A crise ganhou força depois que Michelle Bolsonaro afirmou ter sido humilhada, maltratada e desrespeitada por Flávio Bolsonaro. O senador foi escolhido pelo pai como representante do grupo político para disputar a Presidência.
Desde então, aliados tentam conter o desgaste público. Uma das estratégias discutidas pela campanha de Flávio é indicar uma mulher para a vice na chapa presidencial, numa tentativa de reduzir resistências no eleitorado feminino.
O episódio amplia a pressão sobre a pré-campanha bolsonarista e expõe divergências internas em uma área considerada sensível para a direita. Além do desgaste familiar, as falas de Paulo Figueiredo reacendem o debate sobre rejeição feminina, machismo na política e os desafios de Flávio Bolsonaro para ampliar apoio entre eleitoras.
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