Campo Grande (MS), Quinta-feira, 09 de Abril de 2026

Polícia / Feminicídio

Boletim mostra que suspeito ligou para o 190, cunhado e advogado após morte de subtenente em Campo Grande

Marlene de Brito Rodrigues morreu no local após ser baleada dentro de casa; companheiro foi preso em flagrante e caso é tratado como feminicídio

07/04/2026

13:15

DA REDAÇÃO

©DIVULGAÇÃO

O caso da subtenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, ganhou novos desdobramentos com informações do boletim de ocorrência que apontam a conduta do companheiro logo após o disparo que matou a policial, no Conjunto Habitacional Estrela Dalva, em Campo Grande. O caso ocorreu por volta das 12h de segunda-feira, 6 de abril, e é investigado pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) como feminicídio.

De acordo com o registro policial, o companheiro da vítima, Gilberto Jarson, de 50 anos, fez três ligações logo após o crime: uma para o 190, outra para o cunhado e uma terceira para o advogado. A sequência de chamadas passou a integrar a apuração da polícia.

O policial militar que entrou na residência após ouvir o disparo relatou que encontrou Gilberto ao telefone e com uma arma na mão dentro do imóvel. Segundo o boletim, uma testemunha foi até a casa ao escutar o tiro e encontrou o suspeito com as mãos ensanguentadas. Um policial que mora nas proximidades pediu que o homem abrisse o portão, mas, diante da demora, precisou pular o muro. Ao acessar a residência, viu o suspeito com o telefone em uma mão e a arma na outra.

A subtenente ainda foi encontrada com sinais vitais, e o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas ela não resistiu ao ferimento provocado pelo disparo e morreu no local. Conforme o registro, Marlene estava fardada, próxima à janela da sala. No imóvel, os policiais localizaram um revólver calibre .38 e também a pistola 9 milímetros institucional, que permanecia no coldre.

Durante o atendimento, Gilberto Jarson apresentou versões contraditórias sobre o que teria acontecido. Primeiro, afirmou que não viu o momento em que Marlene teria pego a arma e efetuado o disparo, alegando que estava no quintal cobrindo uma motocicleta com uma lona. Depois, disse que poderia haver resíduos de pólvora em suas mãos porque teria tentado impedir o tiro, segurando a mão da vítima no instante do disparo.

As contradições no relato, somadas aos elementos encontrados no local, pesaram para a prisão em flagrante do suspeito. Vizinhos também disseram à polícia que as discussões entre o casal eram frequentes e que, em outras ocasiões, já haviam ouvido gritos e até pedidos de socorro vindos da residência, reforçando a linha de investigação adotada pela Deam.

Marlene de Brito Rodrigues foi uma das pioneiras da presença feminina na Polícia Militar em Mato Grosso do Sul. Ela ingressou na corporação em 1988, integrou a 3ª turma feminina do Estado e atuou na Companhia Independente de Polícia Militar Florestal, hoje Polícia Militar Ambiental. Após a aposentadoria, retornou à ativa por designação e passou a trabalhar no Comando-Geral da PM.

O velório da subtenente está marcado para as 13h, no Cemitério Memorial Park, e o sepultamento deve ocorrer às 17h30. Com a confirmação da linha investigativa, este é o 9º feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul em 2026 e o primeiro em Campo Grande neste ano.

Casos de feminicídio registrados em Mato Grosso do Sul em 2026

Josefa dos Santos, 44 anos — morta em 16 de janeiro, em Bela Vista.
Rosana Candia Ohara, 62 anos — morta em 25 de janeiro, em Corumbá.
Nilza de Almeida Lima, 62 anos — morta em 22 de fevereiro, em Coxim.
Beatriz Benevides da Silva, 18 anos — morta em 25 de fevereiro, em Três Lagoas.
Liliane de Souza Bonfim Duarte, 52 anos — agredida em 3 de março, em Ponta Porã, e morreu três dias depois.
Leise Aparecida Cruz, 40 anos — morta em 6 de março, em Anastácio.
Ereni Benites, 44 anos — morta em 8 de março, em Paranhos.
Fátima Aparecida da Silva, 58 anos — morta em 23 de março, em Selvíria.
Marlene de Brito Rodrigues, 59 anos — morta em 6 de abril, em Campo Grande.


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