Polícia / Investigação
Operação Iscariotes atinge Camelódromo, prende policiais e bloqueia R$ 40 milhões em esquema de contrabando
Ação da Polícia Federal e Receita cumpre cerca de 90 ordens judiciais e revela participação de agentes de segurança em rede de importação ilegal de eletrônicos
18/03/2026
06:30
DA REDAÇÃO
©DIVULGAÇÃO
A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira, 18 de março de 2026, a Operação Iscariotes, com foco na desarticulação de uma organização criminosa especializada em contrabando, descaminho, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo agentes públicos. A ofensiva atingiu pontos estratégicos em Campo Grande, incluindo o Camelódromo, além de cidades do interior de Mato Grosso do Sul e municípios de Minas Gerais.
As investigações, conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delegfaz), apontam que o grupo atuava na importação fraudulenta de eletrônicos de alto valor agregado, introduzidos no país sem documentação fiscal e fora dos controles aduaneiros. Após a entrada ilegal, os produtos eram distribuídos principalmente na Capital sul-mato-grossense e em cidades mineiras, como Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros.
Policiais presos e atuação dentro de delegacias
Entre as medidas executadas, destacam-se prisões de agentes de segurança pública. Dois policiais foram detidos dentro de unidades policiais — um em Campo Grande e outro em Sidrolândia — evidenciando o nível de infiltração do esquema. As apurações indicam que havia policiais da ativa e aposentados atuando na organização, fornecendo informações sigilosas de sistemas oficiais e, em alguns casos, participando diretamente da logística criminosa.
Além disso, residências de investigados, incluindo imóveis em condomínio de alto padrão na Capital, foram alvo de mandados judiciais.
Mandados, bloqueios e sequestro de bens
Por determinação da Justiça Federal, foram cumpridas cerca de 90 ordens judiciais, incluindo:
31 mandados de busca e apreensão
4 prisões preventivas
2 afastamentos de função pública
1 monitoramento eletrônico (tornozeleira)
6 suspensões de porte de arma de fogo
Também foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 40 milhões em bens vinculados a 12 pessoas físicas e jurídicas. Entre os ativos atingidos estão 10 imóveis, 12 veículos e seis empresas com atividades suspensas.
Estrutura sofisticada e transporte oculto
Segundo a PF, o grupo utilizava veículos adaptados com compartimentos ocultos para transportar os eletrônicos ilegalmente, muitas vezes escondendo os produtos em meio a cargas regulares. A estratégia incluía ainda a fragmentação das mercadorias para dificultar a fiscalização.
Os recursos obtidos com as atividades ilícitas eram posteriormente lavados por meio de operações financeiras e empresas de fachada, caracterizando um esquema estruturado e de alta complexidade.
Ação integrada e continuidade das investigações
A operação mobilizou mais de 200 agentes públicos, com apoio das corregedorias da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Militar (PM), Polícia Civil e Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul.
A Polícia Federal informou que as investigações seguem em andamento para identificar novos envolvidos e aprofundar o mapeamento da organização criminosa, especialmente no que diz respeito à participação de agentes públicos e à extensão nacional do esquema.

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