Campo Grande (MS), Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2026

Política Nacional

Relação entre Tarcísio e Kassab entra em rota de ruptura e saída do secretário é dada como provável

Disputa por espaço político, vice em 2026 e declarações públicas elevam tensão no Palácio dos Bandeirantes

26/02/2026

08:00

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O desgaste na relação entre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o secretário estadual de Governo, Gilberto Kassab (PSD), atingiu novo patamar nas últimas semanas. Interlocutores ligados a ambos os grupos políticos consideram a permanência do presidente nacional do PSD no primeiro escalão como improvável, com possibilidade de saída até abril, período que antecede a janela partidária.

A tensão, que vinha sendo administrada nos bastidores desde o ano passado, tornou-se pública após divergências envolvendo articulações partidárias, fortalecimento do PSD no interior paulista e declarações consideradas indiretas entre os dois líderes.

Crescimento do PSD e disputa por influência

À frente da Secretaria de Governo — responsável pela articulação política e interlocução com prefeituras — Kassab ampliou significativamente o número de prefeitos filiados ao PSD no estado. O movimento foi interpretado por aliados do governador como uso estratégico da estrutura política para fortalecimento partidário.

Integrantes de partidos da base relataram incômodo com a filiação de prefeitos e parlamentares que antes integravam legendas aliadas ao governo. Nos bastidores, houve críticas de que a liberação de convênios e emendas poderia estar sendo associada à expansão da legenda.

O episódio gerou reações inclusive no PP, que chegou a mencionar “crescente descontentamento” de prefeitos e ventilou a possibilidade de candidatura própria ao Palácio dos Bandeirantes.

Vice na chapa e crise interna

Outro foco de tensão envolve a formação da chapa para a tentativa de reeleição de Tarcísio em 2026. A vaga de vice é disputada por Felício Ramuth (PSD), atual vice-governador, por André do Prado (PL), presidente da Assembleia Legislativa, e pelo próprio grupo de Kassab.

O cenário ganhou novos contornos após a divulgação de que Ramuth é investigado pela Justiça de Andorra sob suspeita de movimentação financeira irregular superior a US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,3 milhões) — acusação que ele nega. Nos bastidores, houve especulação sobre possível uso político do vazamento, hipótese negada por André do Prado e pelo próprio Kassab.

Questionado, o governador declarou que “fofoca antes de eleição sempre tem” e afirmou que o episódio não interfere na composição da chapa.

Declarações públicas ampliam mal-estar

O atrito ganhou dimensão pública após entrevista de Kassab ao portal UOL, em janeiro, quando afirmou que há diferença entre “lealdade” e “submissão” ao comentar a relação de Tarcísio com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

No dia seguinte, o governador respondeu que mantém relação de “gratidão e amizade” com Bolsonaro, negando qualquer conotação de submissão. Dias depois, voltou ao tema durante agenda pública, afirmando que “amizade e lealdade na política viraram atributos raros”.

Posteriormente, Kassab publicou mensagem nas redes sociais mencionando ser “privilegiado com bons amigos e conselheiros”, gesto interpretado por aliados como resposta indireta.

Saída considerada iminente

Segundo interlocutores, o governador tem defendido que integrantes da gestão estadual devem permanecer focados exclusivamente na administração pública, sem envolvimento antecipado na disputa eleitoral.

Relatos indicam que Tarcísio teria sido informado pela imprensa sobre a intenção de Kassab de deixar o cargo para coordenar articulações eleitorais, o que teria agravado o desconforto. A expectativa nos bastidores é que o secretário permaneça até o encerramento da janela partidária, no início de abril, para evitar desmobilização de parlamentares do PSD.

Aliados de Kassab destacam como sinal político relevante a agenda do presidente do PSD com três pré-candidatos presidenciais da legenda: Eduardo Leite (RS), Ronaldo Caiado (GO) e Ratinho Júnior (PR), movimento interpretado como demonstração de força partidária.

Com a deterioração da relação e a troca pública de posicionamentos, a permanência de Gilberto Kassab no governo paulista é tratada como questão de tempo, em meio a um cenário que combina disputa interna por protagonismo, estratégia eleitoral e controle político da máquina estadual.


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